Diáspora

Comunidades portuguesas no estrangeiro são "poderoso recurso" do país

Comunidades portuguesas no estrangeiro são "poderoso recurso" do país

Talento dos portugueses, mão de obra qualificada e confiança no país, destacadas durante o III Encontro de Investidores da Diáspora, que acontece em Penafiel.

Uma mensagem positiva, de confiança em Portugal, foi a que foi transmitida esta sexta-feira em Penafiel, onde decorre o III Encontro de Investidores da Diáspora, um evento organizado pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, através do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora, e pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa.

Mais de 600 empresários de 35 países participam no encontro que acontece em Penafiel, com o objetivo de fornecer aos empresários portugueses no estrangeiro o acesso a informação em áreas-chave sobre as políticas públicas em Portugal, nomeadamente no plano dos mecanismos institucionais de apoio ao investimento e de facilitar o estabelecimento de redes de contacto entre os empresários portugueses no estrangeiro e aqueles que exercem a sua atividade em Portugal.

Na sessão de abertura do evento, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, destacou a importância das comunidades portuguesas no estrangeiro, "um dos mais poderosos recursos que o país tem". "Um quarto da população nascida em Portugal, 2,3 milhões, reside fora de Portugal e é um elemento a ter em conta", frisou, referindo ainda a necessidade de o Governo olhar para a sua dimensão e para as suas necessidades, criando políticas que os apoiem, quer em termos sociais, quer em termos fiscais.

"O número de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo ultrapassa em muito os cinco milhões de pessoas, o que é metade da população residente em Portugal", declarou o ministro, acrescentando que Portugal está presente em 178 dos 193 países que fazem parte das Nações Unidas. "Isto dá uma dimensão muito grande às comunidades portuguesas que residem no estrangeiro e torna a relação com estas comunidades num eixo central da política pública".

Nesse sentido, o Governo tem desenvolvido políticas de apoio aos emigrantes, nos países onde estão instaladas, ou para aqueles que querem regressar a Portugal, com projetos de incentivos fiscais e medidas de apoio ao investimento, caso da "Linha Regressar Venezuela" que vai apoiar o regresso a Portugal de cidadãos luso-venezuelanos que pretendam investir no país.

"Não estamos a começar do zero. Não estamos agora a captar investimento para os nossos empresários", afirmou Augusto Santos Silva, destacando o trabalho já feito pelo Poder Central nesse sentido. Também Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia, referiu a importância da diáspora para a promoção do país e da sua economia. "Os emigrantes podem ser um fator de valorização do país no investimento que aqui podem realizar", referiu, destacando não só o investimento, mas como os recursos e o talento, essenciais para o "bom momento" que a economia portuguesa atravessa.

"Investir é um desígnio nacional que o país tem"
Atualmente, com 5,5 milhões de portugueses e lusodescendentes instalados em 178 países do mundo, Portugal apresenta-se, para José António Barros, presidente da Assembleia Geral da AEP, como um país que merece a confiança dos investidores. "Portugal tem estabilidade social e política e dá segurança a quem aqui quer investir", declarou, acrescentando que apesar de ter havido uma queda de 10% no investimento entre 2000 e 2014 e de a média portuguesa estar ainda abaixo da média da União Europeia, "investir é um desígnio nacional que o país tem". "Os estrangeiros têm confiança em Portugal", frisou.

Enquadramento fiscal "previsível"
Durante a sessão, as exportações foram apontadas como um fator de crescimento da economia local, a par com a oferta qualificada e o setor do turismo, que tem angariado para Portugal prémios internacionais que contribuem para a sua imagem no mundo.
Também a fiscalidade tem sido, segundo Helena Alves Borges, Diretora Geral da Autoridade Tributária e Aduaneira, preponderante para o investimento. "Damos confiança e segurança para os investidores investirem em Portugal. Trabalhamos não apenas para atrair investimento, mas trabalhamos para o manter em Portugal, através de um sistema fiscal simples, estável e previsível", declarou.

O III Encontro de Investidores da Diáspora continua este sábado em Penafiel, com painéis informativos, apresentação de projetos e propostas e momentos com intervenções de empresários.

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