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Crédito à habitação está no valor mais alto desde 2010

Crédito à habitação está no valor mais alto desde 2010

Bancos emprestaram 1481 milhões de euros até fevereiro. A taxa de juro média dos contratos desceu para 1,37%

O mercado de crédito continua a aquecer. Nos dois primeiros meses de 2019, os portugueses pediram 1481 milhões de euros aos bancos para comprar casa. É o valor mais alto desde 2010, para os dois primeiros meses do ano, e supera os 1310 milhões de euros registados há um ano.

Os dados divulgados na terça-feira pelo Banco de Portugal mostram que, apesar de, em termos mensais, se assistir desde janeiro a uma descida do total de novos empréstimos à habitação, o crédito concedido nos dois primeiros meses deste ano está em máximos. "Esta descida é sazonal. Nos últimos 10 anos, pelo menos, tivemos sempre uma descida nos novos empréstimos nos primeiros dois meses, para depois haver uma recuperação em março", disse Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros ao JN/Dinheiro Vivo. "Temos de esperar pelos números de março para ver se há uma inflexão. Mas ainda não há sinais de haver uma viragem na tendência de crescimento".

Desde julho de 2018 que estão em vigor recomendações do Banco de Portugal para os bancos apertarem as condições de concessão de crédito à habitação e ao consumo. Mas a concorrência entre os bancos tem levado a uma descida das taxas de juro oferecidas nos novos contratos. Há bancos a garantir um spread de 1%.

No final de fevereiro, a taxa de juro média dos novos créditos à habitação desceu três pontos base e fixou-se nos 1,37%.

No "Inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito" que o Banco de Portugal também divulgou ontem, no primeiro trimestre de 2019, a concessão de crédito ficou estabilizada face ao último trimestre de 2018. Os bancos não esperam uma alteração na procura nem nas condições para a concessão de crédito no segundo trimestre.

Estas expectativas também se aplicam ao crédito ao consumo, que continua a subir. Os portugueses pediram 703 milhões de euros para consumo, desde o início do ano e até ao final de fevereiro. E endividaram-se em 296 milhões de euros para outros fins que não a habitação nem o consumo. No total, a dívida dos particulares subiu em 2480 milhões de euros só nos dois primeiros meses. São mais 186 milhões de euros do que o total de empréstimos contratados em janeiro e fevereiro de 2018. A continuar a este ritmo, 2019 será o ano mais forte da década.

Novos contratos

A taxa de juro média nos novos contratos de crédito à habitação desceu três pontos base em fevereiro, fixando-se em 1,37%. Isto, apesar de os bancos estarem a promover contratos com taxa fixa.

Sinal de confiança

A subida dos preços das casas dá confiança aos bancos na concessão de crédito à habitação. Os particulares apostam na manutenção das taxas Euribor por mais tempo, segundo economistas.