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Economia

EDP diz que aumentos da luz e do gás dão pouca margem para o mercado livre

EDP diz que aumentos da luz e do gás dão pouca margem para o mercado livre

A EDP Comercial, empresa que atua no mercado livre de energia, considera que, perante os aumentos de 2,8% na eletricidade e 2,5% no gás, o mercado liberalizado vai recuar em relação ao que aconteceu este ano.

O presidente da EDP Comercial, Miguel Stilwell, afirma à Lusa que os aumentos da luz e do gás no mercado regulado para o próximo ano, divulgados na sexta-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), dá pouca margem de manobra aos operadores do mercado livre.

"Olhando para as tarifas de 2013 o mercado vai abrandar um pouco mais e vai depender do que acontecer em 2014 e 2015", frisa.

O presidente da EDP Comercial adianta que "no próximo ano existe menos espaço" e que "o mercado [liberalizado] não vai evoluir tão rapidamente como evoluiu este ano" porque "tem a ver com a estrutura das tarifas da ERSE", sendo que a "capacidade de oferecer descontos face à tarifa regulada" é menor.

Para Miguel Stilwell, o principal concorrente das empresas a atuar no mercado livre "é a tarifa regulada" e para se conseguir captar clientes é preciso "dar alguma coisa", que "pode ser a qualidade de serviço, mas também o desconto e se houver menos desconto associado...".

O gestor refere que a transferência de clientes do mercado regulado para o liberalizado "vai depender da evolução tarifária que a ERSE tiver ao longo dos próximos anos" e é isso que "pode tornar mais ou menos atrativo o mercado livre".

Segundo dados da ERSE, o número de clientes no mercado livre de eletricidade quase duplicou dos 425 mil em janeiro para os 802 mil em outubro, uma situação que o responsável da EDP diz que dificilmente se poderá repetir em 2013 se o aumento da tarifa regulada da luz se mantiver nos 2,8% durante o próximo ano.

Miguel Stilwell frisa que a transição de clientes do regulado para o liberalizado, conforme condição imposta pela 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), vai depender do "ritmo" a que vai funcionar o mercado, ou seja "da evolução da tarifas da ERSE".

O responsável da EDP considera "natural que os preços [da eletricidade] subam nos próximos anos" porque "é uma questão de olhar para o custo da energia e aquilo que tem sido a evolução ao longo dos últimos anos", bastando olhar para a evolução do preço do petróleo, em que "há 10 anos atrás era de 20 a 30 dólares por barril e hoje está nos 110 e 120 dólares".

Segundo Miguel Stilwell, este aumento "não se refletiu nos custos de eletricidade", sendo um dos fatores para Portugal ter atualmente um défice tarifário de cerca de 3,7 mil milhões de euros.

No entanto, o gestor afasta a hipótese de depois do final de 2015, altura em que são extintas as tarifas reguladas transitórias, haver um aumento exponencial dos preços porque "o caminho que a ERSE está a fazer é que em 2015 o preço das tarifas reguladas seja igual ao custo real".

Relativamente às polémicas à volta das campanhas da EDP para atrair consumidores para o mercado livre, como a associação ao cartão Continente e outras, Miguel Stilwell sublinha que "é um mercado que está a nascer e há que construir todo um conhecimento por parte dos consumidores sobre aquilo que está em jogo".

A EDP, segundo o gestor, tem atualmente cerca 600 mil clientes de eletricidade no mercado liberalizado, com uma quota de 77%, um valor que mais do que duplicou desde o início do ano.

No setor do gás, Miguel Stilwell refere que a EDP tem cerca de 40 mil clientes, queixando-se que não se sabe "a dimensão do mercado liberalizado", uma situação que a ERSE vai brevemente resolver.