Economia

Empresários de transportes ameaçam parar o país

Empresários de transportes ameaçam parar o país

Cerca de 250 transportadores aprovaram sábado, na Batalha, a apresentação de um caderno de reivindicações ao Governo, ameaçando com uma paralisação nacional dia 28 se não obtiverem uma resposta "positiva".

Numa reunião, convocada pelas Associações Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) e de Transportadores de Terras, Inertes, Madeiras e Afins (ATTIMA), que decorreu na Batalha, os empresários decidiram dar um prazo até sábado ao Governo.

Neste dia, em Coimbra, os associados da ANTP e da ATTIMA vão marcar presença num encontro da Direcção da Região Centro da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) para decidir as formas de protesto.

"A não ser que o Governo esta semana nos dê uma resposta cabal, positiva, objectiva", disse aos jornalistas o presidente da ANTP, Artur Mota, no final da reunião, que durou cinco horas.

Artur Mota afirmou que "as três associações vão reunir-se e tomar medidas no sábado com efeitos a partir de segunda-feira", manifestando o desejo de um entendimento.

O responsável adiantou que "com ou sem ANTRAM" a paralisação é "uma hipótese".

O dirigente esclareceu que os transportadores exigem desconto nas antigas autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT), a criação de gasóleo profissional, a alteração da legislação em matéria de pesos e dimensões dos veículos e que sejam contemplados apoios para todos os empresários que se candidataram ao abate de viaturas.

Garantindo que gostaria que "houvesse uma solução" para os problemas dos transportadores, Artur Mota explicou: "Quem está aqui não quer nem pode parar, quem está aqui quer trabalhar".

O responsável considerou que só uma paralisação levará o Governo a atender às reivindicações do sector.

"Não tenho dúvidas. O Governo não ouve se não houver uma paralisação", declarou.

Durante a reunião, a discussão mais acesa ocorreu a partir do momento em que a ordem de trabalhos entrou nos pontos das portagens nas antigas SCUT e no gasóleo profissional.

Vários empresários reclamaram uma paralisação nacional para esta segunda-feira.

"Se não fizermos nada, morremos em pouco tempo. Prefiro o Governo e não nós", afirmou um transportador, enquanto outro empresário sublinhou que no bloqueio de 2008 a resposta do Governo "foi zero".

Entre os participantes no encontro houve ainda quem não sugerisse medidas radicais, mas antes o envio de um caderno de reivindicações ao Governo.

Presente na reunião, o dirigente da Direcção da Região Centro ANTRAM, Sousa Gomes, defendeu uma "paralisação com cabeça, tronco e membros", caso contrário o "Governo vai rir-se como se riu em 2008".

"Devemos falar a uma mesma voz", acrescentou Sousa Gomes, o que levou o presidente da ANTP a classificar o momento como "histórico".

A ANTP foi criada na sequência do bloqueio de 2008, que paralisou as principais estradas portuguesas e deixou os supermercados com as prateleiras vazias e os postos de abastecimento secos. O bloqueio foi decidido numa reunião de transportadores na Batalha para protestar contra a subida do preço do gasóleo.