Poupanças

Estudo indica que o Estado social impediu portugueses de pouparem

Estudo indica que o Estado social impediu portugueses de pouparem

O Estado social impediu que os portugueses poupassem na última década, o que agravou o problema da dívida externa, refere um estudo apresentado esta terça-feira, em Lisboa, na conferência da Associação Portuguesa de Seguradores.

Esta é, assim, uma das conclusões do estudo sobre poupança em Portugal e que indica que a política orçamental, nas últimas duas décadas, levou a níveis de poupança diminutos.

Fernando Alexandre, professor da Universidade do Minho que apresentou o estudo, disse que "o Estado social impediu que as pessoas poupassem mais porque não havia motivos para as famílias o fazerem".

Para o professor catedrático, o que aconteceu em Portugal nas últimas duas décadas em termos de política orçamental "foi uma aberração" porque não se conseguiu fazer com que o Estado desse o exemplo de poupança e, ao mesmo tempo, incentivou o crédito fácil.

O ambiente de estabilidade desde a adesão de Portugal ao euro é considerado por Fernando Alexandre um dos principais motivos para a falta de poupança no país.

"Para os mercados em 2005 eramos todos alemães", disse, acrescentando que "as pessoas deixaram de poupar para comprar automóvel, habitação ou um frigorífico".

E deu o exemplo com dados, demonstrando que, no endividamento a particulares, em 1995 havia 40 por cento do rendimento disponível e em 2009 passou para 140 por cento.

"Após a entrada no euro, Portugal acreditou que ia ficar mais rico e o que aconteceu foi que divergiu em toda a linha da média da zona euro".

Em termos de políticas de poupança a seguir pelo actual Governo, Fernando Alexandre referiu que a sua melhor contribuição "é poupar" porque não pode aconselhar.

""Ninguém ia levar o Estado a sério se dissesse que temos de poupar, as pessoas iam responder 'poupa tu'", observou, até porque a ideia que o Estado transmitiu nestes últimos anos "foi de gastar, gastar, gastar".