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Fosun já é o maior acionista do BCP

Fosun já é o maior acionista do BCP

Novo acionista passa a deter 16,7% do banco por 175 milhões de euros, compromete-se a não vender durante três anos e poderá reforçar para 30%.

As negociações para a entrada da Fosun no capital do Millennium BCP foram bem sucedidas e a Fosun passou a ser o maior acionista do banco, com 16,7% do capital. O Dinheiro Vivo sabe que a decisão foi tomada na sexta-feira, ao final do dia, após o fecho dos mercados.

O valor do negócio é de 175 milhões de euros, calculado de acordo com a forma definida que está assente nos últimos 20 dias de cotação. Este é um valor que está dentro da margem já prevista pelo banco, situada entre os 175 milhões e os 200 milhões de euros.

Fica assim concretizada a entrada de um acionista estratégico no banco e por um período mínimo de três anos, ou seja, durante esse tempo o novo acionista compromete-se a não alienar a participação.

"O investimento efetuado pela Fosun é de longo prazo, ficando esse facto também bem patente no compromisso de manter um período de 3 anos de lock-up, condição que era considerada indispensável pelo conselho de administração do banco para uma operação deprivate placement e que demonstra o reconhecimento e a confiança no valor do BCP". Os membros do conselho de administração do banco decidiram de forma consensual, ou seja, a entrada da Fosun no capital da instituição foi aprovada por todos os administradores.

Este é o culminar de um primeiro investimento da parte da Fosun neste banco privado. Para uma segunda fase, a Fosun reafirmou já o seu interesse em vir a deter uma participação de cerca de 30%, tendo inclusivamente já obtido a autorização solicitada para esse efeito junto do Banco Central Europeu (BCE). Para o eventual sucesso desta segunda etapa, a administração irá propor ao presidente da mesa da assembleia geral o adiamento da Assembleia, cujos trabalhos seriam retomados na próxima segunda-feira. A nova data a sugerir é 19 de dezembro.

O Dinheiro Vivo sabe a decisão de adiamento para dezembro prende-se com a perspetiva de, nessa altura, ser possível contar com um alargado consenso entre acionistas para aprovar a alteração dos limites de voto de 20% para 30%. O Dinheiro Vivo sabe também que na mesma assembleia geral, a 19 de dezembro, também poderá ser tomada a decisão acerca do aumento de capital da parte da Sonangol para 30%.

Quatro meses de negociações

O interesse da Fosun no BCP foi divulgado no final de julho e durante o mês de setembro ocorreram várias reuniões do conselho de administração do banco para avançar com as negociações. O conselho de administração iniciou entretanto negociações exclusivas com o grupo chinês para a tomada de 16,7% do banco via aumento de capital reservado, até um limite máximo de 236 milhões de euros de investimento.

A emissão de novas ações vai implicar a diluição da participação dos atuais acionistas. Atualmente, o capital do BCP conta com a angolana Sonangol como a maior acionista, com 17,84% do capital, seguida do Sabadell (5,07%), da EDP (2,71%), BlackRock (2,22%) e da InterOceânico (2,05%).

Considerando a totalidade dos acionistas, qualificados e não qualificados, perto de 54% do capital do Millennium bcp está em mãos portuguesas. A entrada dos chineses estava dependente de várias condições, como a concretização da fusão de várias ações numa só (reverse stock split), a alteração dos estatutos para que a Fosun tivesse membros do conselho de administração (o grupo chinês exigiu dois administradores e a possibilidade de ter cinco), a não contribuição para o Fundo de Resolução além da já prevista e a alteração do limite aos direitos de voto de 20% para 30%.

Para o BCP, a entrada da Fosun aumenta a estabilidade da estrutura acionista e ajuda a devolver os CoCos que o banco ainda tem de pagar ao Estado numa altura em que o mercado receia que seja necessário um aumento de capital. O BCP ainda tem cerca de 700 milhões de euros de CoCos para devolver e aguarda autorização para pagar uma tranche de 200 a 250 milhões de euros.

Para o grupo chinês, esta entrada no BCP é "um novo passo no investimento em Portugal" e permite ganhar o controlo do maior banco privado nacional e vai ajudar a empresa a acelerar a entrada no mercado europeu e africano.