Famalicão

Gant em Portugal à beira de falência com 800 trabalhadores em risco

Gant em Portugal à beira de falência com 800 trabalhadores em risco

O Grupo Ricon, que detém a rede de lojas Gant em Portugal, apresentou a insolvência, esta semana, no Tribunal de Famalicão. Em risco estão 800 postos de trabalho.

Os trabalhadores que falaram ao JN disseram não ter, para já, salários em atraso e dizem manter a confiança na viabilização do grupo que detém várias unidades têxteis em Ribeirão e Fradelos, em Famalicão.

Num comunicado para os funcionários no início da semana, o administrador informou que houve necessidade de apresentar o processo de insolvência das empresas do grupo devido a "circunstâncias que afetaram gravemente a sua situação económico-financeira". Alega que na base das dificuldades está a redução de encomendas por parte da Gant e o facto de esta ter exigido o "pagamento imediato da totalidade da dívida vencida proveniente do fornecimento ao setor do retalho".

Em busca de uma solução

Com a capacidade de cumprir as obrigações com os credores, nomeadamente com a Banca, afetada, o grupo têxtil refere que, "apesar de todos os esforços" para combater a atual situação económico-financeira, as negociações com a Banca, a Gant e "eventuais novos investidores" não levaram ainda a uma "solução concreta que permita a viabilização das empresas". Salvaguarda que continua em busca de uma solução que permita a viabilidade. E acrescenta que nos pedidos de insolvência manifestou intenção de apresentar um plano de recuperação, se as negociações que ainda estão em curso tiverem êxito.

O JN tentou obter esclarecimentos por parte do Grupo Ricon, mas todas as tentativas foram infrutíferas.
Em declarações à Lusa, o coordenador do Sindicato Têxtil do Minho e Trás os Montes, Francisco Vieira confirmou a intenção do grupo apresentar um processo especial de revitalização para evitar fechar. "O grupo quererá tentar a cura" e isso parece-nos positivo, mas temo que, mesmo assim, muitos dos postos de trabalho vão à vida", afirmou Francisco Vieira. O sindicalista considera que o eventual encerramento do Grupo Ricon seria uma "tragédia social".

Francisco Vieira disse saber da intenção do grupo têxtil de apresentar insolvência, mas referiu não ter ainda conhecimento oficial do pedido.