Economia

Governador diz que bancos têm obrigação de não induzir endividamento

Governador diz que bancos têm obrigação de não induzir endividamento

As instituições financeiras têm a obrigação de não induzir o endividamento, disse o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, esta terça-feira.

"Gostaria de apelar às instituições financeiras para que exerçam uma pedagogia activa, que informem o cidadão de que é fácil obter crédito, mas é difícil reembolsá-lo", disse Carlos Costa, durante a sessão de apresentação dos resultados definitivos do Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa 2010, em Lisboa.

"Há despesas que, pela sua natureza, não devem ser financiadas a crédito. Não se pode financiar o consumo de hoje com a poupança de amanhã", acrescentou o governador do Bando de Portugal (BdP), notando que as instituições financeiras têm uma "obrigação" de incentivar uma "utilização responsável do crédito".

"O sobreendividamento começa por ser um drama pessoal, depois transforma-se num drama social, que tem necessariamente repercussões", inclusivamente para os bancos, que correm o risco de ficar com créditos incobráveis.

Carlos Costa notou que uma das conclusões do inquérito é que "as instituições financeiras são os conselheiros do cidadão" em termos de poupança e investimento. Ou seja, a principal fonte de conselhos financeiros dos cidadãos são os funcionários dos balcões das agências bancárias.

"Temos de assegurar, do ponto de vista ético, que [os bancários] no balcão encontram o equilíbrio adequado entre o interesse da instituição, que é vender, e do cidadão, que é manter-se solvente. O interesse da instituição, a prazo, também é que o cidadão se mantenha solvente", declarou o governador do BdP.

Carlos Costa acrescentou ainda que a confiança dos portugueses no sistema bancário é "das maiores na Europa", e que esse é um "activo" que a banca deve "preservar com grande cuidado".