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Governo ajuda pescadores com 20 euros por dia

Governo ajuda pescadores com 20 euros por dia

O Governo vai apoiar a paragem temporária da pesca da sardinha até 30 de novembro. Cada pescador receberá 20 euros por dia, enquanto os mestres terão direito a 24.

A portaria saiu na segunda-feira, um dia antes da reunião, marcada para esta terça-feira, entre as organizações de pesca, a Direção-geral e a Secretaria de Estado das Pescas. "De mau tom", dizem os pescadores, que querem ainda saber do que vão viver, sem quota para pescar e sem apoios, depois de 30 de novembro. Há 130 barcos e 2500 pescadores a viver da sardinha.

"Faz algum sentido a gente ir ter a reunião se eles já decidiram e já puseram a portaria cá fora?", questiona o presidente da Apropesca - Organização de Produtores de Pesca Artesanal, Carlos Cruz. Tem 12 barcos na sardinha, registados na Póvoa de Varzim e em Vila do Conde, e não esconde a indignação pela forma como o Ministério do Mar está a tratar as organizações representativas do setor.

No ano passado, a pesca da sardinha esteve parada entre 19 de setembro e 1 de março. À paragem forçada por limite da quota, entre setembro e dezembro, o Governo "colou" o defeso, entre janeiro e março. Resultado: mais de seis meses em casa. Este ano, com o fim da quota em Peniche e na Nazaré, que esgotaram a sua parte e estão proibidos de pescar desde sábado, o Governo já abriu a possibilidade de paragem. A partir de hoje, os barcos, com pelo menos 45 dias de atividade e um volume de sardinha não inferior a 7,5% do total do pescado, podem candidatar-se aos apoio à paragem por um período mínimo de 30 e máximo de 90 dias seguidos, que nunca poderá ultrapassar o dia 30 de novembro.

Depois disso, sem quota, os pescadores querem saber como vão viver: "Não aguentamos estar outra vez parados até março ou abril e ter uma quota ainda mais pequena do que a deste ano", afirma Carlos Cruz, antevendo o abandono da atividade para muitas embarcações.