Habitação

Imobiliárias duplicaram desde 2011

Imobiliárias duplicaram desde 2011

Número de agentes imobiliários sobe à boleia das vendas. São quase 6300. Lisboa e Porto representam quase metade.

É o melhor termómetro para medir o setor e, para já, atesta saúde. No ano passado, o número de imobiliárias voltou a crescer e, à boleia de cada vez mais vendas e a preços cada vez mais elevados, contabilizaram-se 6298 agências com licença de atividade. É mais 15,7% do que em 2017 e mais de duas vezes mais do que em dezembro de 2011, o ano em que Portugal, e a venda de casas, começou a perder terreno para a crise.

"O abrir e fechar imobiliárias é o melhor barómetro para ver como está o mercado. Quando está bom abrem como cogumelos, quando está mau também fecham. Mas é importante ter uma coisa em atenção, não há espaço para seis milhões de portugueses serem mediadores, isso é certo. Até porque os preços também não vão subir até ao céu", alerta Luís Lima, presidente da APEMIP, a associação que representa os mediadores e agentes imobiliários.

O setor não se esquece dos anos negros da troika quando foram destruídas centenas de empregos, empurradas pelas falências de promotores e agências - só em 2013, oito em cada 10 empregos perdidos eram da construção e imobiliário. Mas o travão, que levou a um número mínimo de 2738 licenças de atividade em dezembro de 2012 parece ter ficado no passado.

No final de 2018, só Lisboa e Porto juntos superavam estes números vermelhos. Na capital estavam registadas 2046 licenças e, no Porto, eram 1003. No conjunto do país destacou-se ainda o distrito de Faro, com 771 licenças e Setúbal com 567. As regiões do interior são aquelas onde o dinamismo do setor é menor: Portalegre (29), Guarda (39) ou Bragança (31).

Luís Lima lembra que, fruto de uma escassez de imóveis que considera "grave", já se começa a sentir no arranque de 2019 um abrandamento do setor e, por isso, considera "normal, e até saudável, que haja um ajuste" do número de operadores nesta indústria.

Banca não facilita

É que o imobiliário rompe recordes, mas a realidade é hoje mais saudável: "Neste momento, não há endividamento como havia nem condições como as que havia. Por exemplo, em Lisboa, só um terço das casas é que se vendem com financiamento bancário". No total do país estima-se que o recurso a crédito represente menos de 50% das vendas. "A Banca, ao contrário do que se diz, não está a facilitar, há é uma forte concorrência porque o cliente do crédito habitação é muito importante para os bancos, porque a partir dali fica um cliente fidelizado por 30 ou 40 anos", assinala o responsável.