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Impacto financeiro de casamentos estrangeiros em Portugal "é grande"

Impacto financeiro de casamentos estrangeiros em Portugal "é grande"

O impacto financeiro dos casamentos de estrangeiros em Portugal "é grande", garante a cofundadora da agência portuguesa White Impact, Paula Grade, a propósito da realização do Amour Forum em Cascais em 2020.

"Há hotéis a fazer 60-80 casamentos por ano. Se se multiplicar isso por 10 mil a 15 mil euros cada um, o impacto é grande", disse a cofundadora, Paula Grade, cuja empresa movimenta anualmente um milhão de euros.

No ramo desde 2007, na altura denominada por Algarve Wedding Planners, a organizadora de casamentos sediada em Vilamoura é uma das primeiras profissionais em Portugal, tendo atualmente uma equipa de 10 pessoas e um currículo com mais de 800 casamentos.

De 37 casamentos no primeiro ano, chegou a organizar perto de 200 casamentos num ano, mas recentemente reduziu para menos de metade porque "permite dar um serviço mais pessoal", adequado a clientes com poder de compra mais elevado.

Se há 12 anos um casamento de 100 pessoas custava em média 10 mil euros, agora "é impossível fazer por menos de 30 mil a 35 mil euros", garante à Lusa.

A diferença está no uso de fornecedores com maior qualidade e com quem construiu uma relação de confiança, desde hotéis a cabeleireiros, fotógrafos, profissionais de maquilhagem, floristas, empresas de 'catering' e de decoração.

É com alguns destes parceiros que visita regularmente cidades como Dublin, Londres e Manchester, recebendo clientes e potenciais interessados em hotéis de prestígio.

"Os casamentos encaixam na perfeição com a época de golfe", disse Manuel Bravo, responsável de vendas do Monte Rei Golf & Country, uma estância turística com cerca de 30 moradias de luxo, durante um evento em Manchester no domingo.

Aproveitando a pausa daquele desporto entre abril e setembro, a estância passou a aceitar casamentos que podem trazem um volume de receitas importante, o mesmo acontecendo nos hotéis do grupo Minor Hotels, proprietária da marca Tivoli.

"Em média cada hotel faz 30 a 50 casamentos por ano, sobretudo durante a época baixa, entre outubro e março. Tem cada vez mais importância, não só por causa das receitas mas pelo potencial de alargar a base de clientes", adiantou a diretora de eventos, Sandy Silva.

A dimensão das cerimónias e número de convidados varia, mas pode chegar aos 300 convidados e três dias de duração no caso de casamentos indianos.

Além de participar em ações no estrangeiro, o grupo Minor, com hotéis no Algarve, Lisboa, Coimbra, Sintra e Évora, o grupo passou a apostar na promoção nas redes sociais e no recurso a 'bloggers' e influenciadores devido à importância do espeto visual.

A estética é um aspeto valorizado ao detalhe, e os casais que visitaram o evento organizado pela White Impact em Manchester discutiram pormenores como os automóveis clássicos que vão transportá-los no dia, a animação musical e as decorações de luzes e flores.

A multiplicação dos casamentos de estrangeiros em Portugal levou à emergência e desenvolvimento nos últimos anos de muitas empresas associadas, como, por exemplo, de 'catering' especializado em comida indiana ou 'kosher' para casamentos judeus.

Mário Rosário, sócio gerente da Eventual Catering, revelou à Lusa como precisou de investir em equipamento como estufas, fornos e até máquinas de lavar loiça volantes para poder trabalhar em locais sem as infraestruturas necessárias.

Para os noivos, o importante é "passar bons momentos com famílias e amigos", resumiram Samantha Jones e Ross Hartley, casal de Manchester que escolheu um hotel no Algarve para casar no final de Agosto.

Um pacote que inclui um cocktail ao pôr do sol no primeiro dia, um jantar com os membros mais chegados, a cerimónia do casamento e uma festa no dia seguinte acaba por ficar pelo mesmo preço do que uma comemoração de um dia em Inglaterra, garantiram.

O Amour Forum, que atrai anualmente dezenas de consultores de viagens, organizadores de casamentos, hotéis e estâncias turísticas europeus, terá lugar em Cascais entre 22 e 25 de novembro.

A candidatura foi um resultado de um trabalho da equipa do Turismo de Portugal no Reino Unido com a Câmara Municipal de Cascais e a White Impact para desenvolver o potencial de Portugal neste segmento turístico.

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