Economia

Licenciatura em Portugal vale cada vez menos no salário

Licenciatura em Portugal vale cada vez menos no salário

Ter um curso superior ainda permite ambicionar um salário mais elevado, mas a importância de uma licenciatura pesa cada vez menos para se chegar a patamares de remuneração mais elevados. E Portugal foi o país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em que o canudo mais valor perdeu entre 2006 e 2016.

Em dez anos, o prémio salarial de quem concluiu uma licenciatura face a um jovem com o ensino secundário caiu 22,8 pontos percentuais. Ou seja, a vantagem de ter um curso superior encolheu em apenas uma década, quando a tendência era de um fosso salarial cada vez maior entre os que frequentaram a universidade e os que não foram além do 12º ano. É a maior perda entre os 32 países membros da OCDE.

Esta perda não é exclusiva de Portugal. O prémio salarial resultante de ter ou não um curso superior diminuiu em 21 dos 32 estados-membros considerados no estudo, mas em apenas 12 a queda foi maior do que cinco pontos percentuais. "Seis países registaram quedas de pelo menos dez pontos percentuais", refere o relatório "Outlook Employment 2019" divulgado quinta-feira, em que se conclui que Portugal foi o que mais perdeu. Nesta lista, o país está à frente da Grécia, Polónia, Chile, Eslovénia e Hungria.

Só em três países houve uma subida no prémio salarial de trabalhadores com o ensino superior face a quem concluiu apenas o ensino secundário: Bélgica, Reino Unido e Estónia.

A OCDE avança uma possível explicação para a perda de valor de uma licenciatura e quase tudo se resume a aumentos salariais anémicos nas profissões altamente qualificadas face às restantes. "O crescimento do salário médio entre 2006 e 2016 foi particularmente fraco em ocupações altamente qualificadas, que tendem a empregar uma parcela elevada de trabalhadores com educação superior", refere o documento.