Suspensão

Lusíadas Saúde também rompe com a ADSE

Lusíadas Saúde também rompe com a ADSE

Depois do grupo José de Mello Saúde (hospitais CUF) e do grupo Luz Saúde, os hospitais Lusíadas juntam-se ao movimento de suspensão de contrato com o subsistema de saúde dos funcionários públicos.

O Grupo Lusíadas Saúde disse esta quarta-feira em comunicado que "está a analisar opções para a cessação das atuais convenções existentes com a ADSE", juntando-se, assim, ao grupo José de Mello Saúde (hospitais CUF) e ao grupo Luz Saúde, que esta semana também anunciaram que iriam deixar de prestar serviços ao abrigo das convenções celebradas com a ADSE.

O que está em causa?

Segundo o comunicado do Grupo Lusíadas, um dos motivos prende-se com as regularizações. "A regularização dos preços dos atos médicos a posteriori (mais de dois anos depois nos casos atuais em discussão) por parte da ADSE, sem ter em linha de conta o tratamento e atos prestados a cada cliente, de acordo com as suas necessidades específicas, e sem que o Grupo Lusíadas Saúde possa ter conhecimento dos elementos comparadores que pudessem justificar tal redução".

Outro problema prende-se com a tabela de preços desajustada da realidade atual. "Tratam-se de valores incompatíveis com os padrões de segurança e qualidade com que alinhamos a nossa prestação de serviços e com o nível de experiência que fazemos questão de garantir a todos os clientes que nos procuram, incluindo os beneficiários da ADSE".

O peso dos privados

Os cinco maiores grupos privados da saúde faturaram à ADSE 878 milhões de euros entre 2015 e 2018, 58,3% da despesa total que o subsistema de saúde teve com o regime convencionado, segundo uma análise do economista e representante dos beneficiários Eugénio Rosa.

A análise do economista, eleito pelos representantes dos beneficiários para o conselho diretivo da ADSE, aponta para "um grande problema de concentração" nos grandes prestadores privados da saúde, referiu Eugénio Rosa à agência Lusa.

Nos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018, quase 60% da despesa total que a ADSE teve com o regime convencionado (em que os prestadores têm uma relação contratual com o subsistema) foi para cinco grupos privados: Luz, José de Mello Saúde, Lusíadas, Trofa e Grupo Hospitais Privados do Algarve.

"Foram feitas no passado muitas convenções com estes cinco grupos e permitiu-se que dominassem grande parte da faturação da ADSE", afirmou à Lusa o economista.

Num documento de análise publicado no seu site na Internet, Eugénio Rosa afirma que a "captura da ADSE por parte" dos cinco grandes grupos privados de saúde ajudou esses prestadores a eliminar também a concorrência e a aumentar o "poder sobre a ADSE".

"É urgente alterar esta situação, reduzindo o poder destes cinco grandes grupos privados e saúde sobre a ADSE, e criar uma situação de maior equilíbrio", refere Eugénio Rosa no documento publicado no final do mês passado.

O economista ressalva que os cinco grandes grupos privados de saúde são, contudo, "indispensáveis à prestação de serviços aos beneficiários", mas insiste na necessidade de "assinar novas convenções com pequenos e médios prestadores".

Hoje, em declarações à Lusa, Eugénio Rosa sublinha que, ao diversificar as convenções, a ADSE "estaria mais à vontade", ao mesmo tempo que a concorrência no setor seria impulsionada.

A ADSE tem estado no centro da atenção mediática e política nos últimos dias, estando em causa a suspensão de convenções por parte de dois grupos, a José de Mello Saúde (que gere os hospitais CUF) e o Grupo Luz Saúde.

Dados do final do ano passado da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada indicam que quatro milhões de portugueses recorrem por ano aos hospitais privados, sendo que 800 mil são beneficiários da ADSE.

Números da mesma associação mostram que os hospitais privados representam quase metade dos hospitais do país e um terço das camas hospitalares.

Artigo atualizado às 19.20 horas com mais pormenores sobre os motivos avançados pelo Grupo Lusíadas Saúde

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