Economia

Maioria dos consumidores com dificuldades em pagar a casa

Maioria dos consumidores com dificuldades em pagar a casa

46,4% dos portugueses que participaram no barómetro anual Euroconsumo consideraram que as despesas de habitação são difíceis ou bastantes difíceis de pagar.

Entre os quatro países europeus que participaram no barómetro anual Euroconsumo - Bélgica, Itália, Espanha e Portugal - o nosso surge em último no que toca a poder de compra e as expectativas para este ano são de agravamento das dificuldades. A Bélgica lidera, com um índice de capacidade de compra de 50,8, seguindo-se a Itália com 46,5 e a Espanha com 46,2, ficando Portugal com apenas 44,5. Porém, no que toca a pobreza, o índice português é de 29,7 e os restantes são superiores a 30, o que indica que por cá há menos extremos entre os que muito podem pagar e os que nada conseguem comprar.

As despesas de habitação são as que maior impacto têm na qualidade de vida do lar para 74,1% dos portugueses, mas 46,4% revelou que, no ano passado, foi difícil ou bastante difícil cumprir os pagamentos. Mais importante, a seguir, vem a alimentação (73,7%), difícil ou muito difícil de adquirir para 32,3% dos inquiridos. A é a terceira prioridade das famílias portuguesas, mas 44,8% também teve dificuldades em pagar as despesas. Educação e mobilidade são também prioritárias, mas 32% e 47,4%, respetivamente, sentiram que o dinheiro era curto para conseguir usufruir delas. Embora relegados para último plano, e também entre aquilo que 47,2% portugueses tiveram problemas em conseguir pagar em 2018, a cultura e o lazer apresentam-se, pelo menos, como a única categoria em que há expectativas de ligeira melhoria em 2019.

O estudo europeu foi realizado por associações de consumidores, com a Deco Proteste a realizar o estudo nacional que lhe permitiu lançar, hoje, o primeiro barómetro anual que permitirá avaliar a evolução da capacidade de compra e da qualidade de vida das populações, aferindo ainda o patamar de pobreza no país.

Segundo os dados regionais fornecidos pela Deco Proteste, o índice de capacidade financeira mais elevado do país, no ano passado, localizou-se na região Centro (45,8) seguida do Norte (44,9), ficando Lisboa e Vale do Tejo a meio da tabela (43,9), seguida do Alentejo (42,8) e com o Algarve no fim (41,1). Contudo, as perspetivas para este ano são de melhoria nestas três últimas regiões e de agravamento nas que melhor pontuaram em 2018.

A pobreza é mais evidente em Lisboa e Vale do Tejo (9,8), no Alentejo (8,5%) e no Norte (7,6%), limitando-se a 3,1% e 2,1% dos inquiridos no Centro e no Algarve, respetivamente. Já a situação financeira confortável é maior em Lisboa e Vale do Tejo (25,2%), no Centro (23,5%) e no Algarve (23,2%), com o Alentejo muito perto (22%) e o Norte (21,8%) no fim da lista.

A nível de distritos, o índice de capacidade de consumo é melhor em Bragança (57,4) e Vila Real (46,9) e pior em Portalegre (29,7) e Braga (39,3). As maiores dificuldades surgem em famílias de três ou mais pessoas em que ambos os cônjuges se encontram desempregados, não possuem formação universitária.

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