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Economia

Mais recessão, mais desemprego e mais défice marcam sétima avaliação da troika

Mais recessão, mais desemprego e mais défice marcam sétima avaliação da troika

As equipas da troika começam, esta segunda-feira, a discutir com o Governo a sétima avaliação do programa sob a perspetiva de uma recessão mais profunda, mais desemprego e um défice mais elevado que o acordado.

Quando Portugal pediu ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Bruxelas, em abril de 2011, as condições de financiamento da República tinham-se tornado insustentáveis e os indicadores económicos apontavam já para uma deterioração generalizada da economia, mas nem as previsões mais pessimistas da 'troika' na altura anteviam o que veio a acontecer.

PIB

- Portugal fechou o ano de 2010 com um crescimento económico de 1,9% do Produto Interno Bruto, um valor influenciado por gastos excessivos da parte do setor público que acabaram por pesar no défice orçamental e no nível de dívida pública.

- Em 2012 a recessão atingiu os 3,2% de acordo com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística, o segundo pior resultado na história da economia portuguesa desde que existem dados. Pior só em 1975.

Desemprego

- Em 2010 os dados do INE apontavam para uma taxa de desemprego nos 10,8%, em média anual, e 11,1% no último trimestre do ano. Entre os jovens (dos 15 aos 24 anos) a taxa de desemprego era já de 22,4%.

- Os mais recentes dados furam todas as previsões, até as mais recentes. Segundo o INE, a taxa de desemprego em média anual ficou nos 15,7% em 2012, no quarto trimestre o desemprego bateu novos máximos históricos chegando aos 16,9% e o desemprego jovem atingiu os 37,7%. A previsão feita no início do programa esperava que o desemprego fosse no máximo até aos 13%.

Défice externo

- Em 2010 o défice externo atingiu os 8,4% do PIB, o que é já uma redução face aos valores superiores a 10% que se registaram em 2009. As exportações terão crescido 8,8%.

- Em 2012 a expectativa é que se atinja um défice externo de 1,1%, naquela que tem sido a parte do ajustamento que melhor tem corrido às autoridades portuguesas, devido sobretudo a uma queda nas importações, numa altura em que o aumento esperado das exportações começa a dar sinais de fraqueza. A previsão ainda é de 4,3% mas já se notou um abrandamento no ritmo de saídas no final do ano.

Défice orçamental

- Em 2010 o défice orçamental terminou o ano nos 8,8% do PIB, um dos valores mais altos de sempre, mas que também se tratava de uma redução face aos mais de 10% registados no ano anterior.

- Em 2012 o resultado só deverá ser confirmado com a primeira notificação do ano enviada a Bruxelas ao abrigo do Procedimento dos Défices Excessivos. A maior incerteza deve-se à classificação que o Eurostat irá dar à operação de concessão da gestora dos aeroportos portugueses, a ANA, mas existem outras dúvidas. A meta é 5%, revista de 4,5% no final do ano passado com a 'troika'.

Dívida Pública

- Em 2010, depois de alguns anos a subir de forma acentuada, o rácio de dívida pública de acordo com os critérios de Maastricht terá fechado o ano nos 93,5%.

- Em 2012, se as contas anteriores do Governo e da 'troika' estiverem certas a dívida pública deverá atingir os 120% do PIB, mais 26,5% pontos percentuais do PIB em apenas dois anos, fruto também do valor do PIB usado para calcular esta taxa ser mais baixo depois de dois anos de forte recessão.

Crédito às famílias e empresas

- As imposições da 'troika' de os bancos reduzirem o seu endividamento e aumentarem os capitais próprios, a que se juntou o fecho dos mercados de financiamento, levou a uma forte queda do financiamento à economia desde o pedido de ajuda externa.

- As empresas foram quem mais sentiu constrangimentos. Entre abril de 2011 e dezembro de 2012, os empréstimos caíram 11.582 milhões de euros ou 9,89%, tendo o crédito às empresas fechado o ano passado nos 105.479 milhões de euros.

- Já o crédito aos particulares reduziu-se em quase 8.000 milhões de euros ou 5,615%, tendo-se fixado em dezembro nos 134.020 milhões de euros, depois de 10 meses consecutivos de queda. A maior redução em termos absolutos foi no crédito à habitação, que caiu cerca de 4.800 milhões de euros. No entanto, a variação percentual negativa de 4,19% fica abaixo da queda de 9,06% do crédito a outros fins (10.975 milhões de euros em dezembro de 2012, menos 1.093 milhões de euros do que em abril de 2011) e 13,45% nos empréstimos ao consumo (13.372 milhões de euros em dezembro, menos 2.078 milhões de euros).