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Maria Luís responsabiliza PS por situação do sistema financeiro

Maria Luís responsabiliza PS por situação do sistema financeiro

A deputada do PSD e ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque responsabilizou, esta sexta-feira, o Governo e a maioria de esquerda pela situação do setor financeiro, argumentando que é um "espelho da economia".

"Aquilo que leva à acumulação de imparidades é o que os senhores fizeram à economia. Ponham a mão na consciência", declarou Maria Luís Albuquerque num debate marcado pelo PS sobre o sistema financeiro.

Na resposta, o PCP acusou a ex-titular das Finanças de ter feito tudo para esconder dos portugueses a situação dos bancos, "incluindo mentir", com o objetivo de "manter viva a narrativa da saída limpa", argumentando que os créditos mal parados e imparidades não pararam de crescer durante os quatro anos do Governo PSD/CDS.

Maria Luís Albuquerque defendeu que "o sistema financeiro é o espelho da economia, recupera quando há crescimento e confiança, fica em dificuldades quando o crescimento recua e a confiança desaparece e um sistema financeiro em dificuldades não ajuda a economia e crescer".

"O que fez esta maioria desde que tomou posse? Proclamou o fim da austeridade mas tirou mais a todos para devolver a alguns. Acusou aqueles de quem dependemos para nos emprestarem dinheiro de quererem a desgraça do país, e, em dias alternados e em partidos à vez, ameaça não pagar a dívida. Reverteu as concessões das empresas de transportes, afastando investidores estrangeiros de que Portugal tanto precisa, para dar à CGTP o poder que os trabalhadores lhe tinham retirado ao longo dos anos", argumentou.

Segundo a ex-ministra das Finanças, o atual Governo "anuncia a cada oportunidade que vai reverter tudo o que o governo anterior fez e que permitiu voltar a crescer e recuperar a credibilidade e ainda alimenta a comunicação social com rumores sobre a Caixa Geral de Depósitos e o resto do sistema financeiro, que depois não confirma nem desmente, deixando espaço para especulações que prejudicam todo o sistema financeiro".

Pelo PCP, o deputado Miguel Tiago acusou Maria Luís Albuquerque de fazer "malabarismos" para tentar fazer crer que "o crédito mal parado na banca surge de um momento para o outro e representa um problema de um momento para o outro".

"É no mínimo, não dizemos uma irresponsabilidade, porque é certamente deliberado e intencional, porque a senhora deputada enquanto ministra tudo fez para esconder dos portugueses a verdadeira situação da banca", acusou, argumentando que quando o PCP perguntava pelo Banif e o BES, a então ministra era omissa sobre a real situação das instituições.

O deputado do PS Eurico Brilhante Dias interveio no encerramento do debate, recomendando ao PSD e ao CDS uma ida ao psicanalista: "Os senhores precisam de ir para o divã, vêm aqui dizer de forma surpreendente que querem uma auditoria e uma comissão de inquérito quando foram Governo quatro anos".

"A receita da austeridade custe o que custar anunciada aqui nesta tribuna do Governo no parlamento, pelo doutor Pedro Passos Coelho, sabem o que é que produziu: mais insolvências, mais falência de famílias, mais crédito mal parado, mais problemas nos bancos", argumentou.

Já o CDS - que interveio depois da deputada do BE Mariana Mortágua ter feito uma intervenção sobretudo contra as declarações do ministro alemão das Finanças - acusou os bloquistas de terem "uma lavandaria política que se destina única e exclusivamente a encobrir os erros do PS".

O PEV, através do deputado José Luís Ferreira, interveio para fazer a defesa de uma Caixa Geral de Depósitos pública, "integralmente nas mãos do Estado", e para alertar para a venda do Novo Banco "significará um novo Banif ou um novo BPN, com graves prejuízos para os contribuintes".

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