Economia

Ministro das Finanças diz que maiores dificuldades estão para vir

Ministro das Finanças diz que maiores dificuldades estão para vir

O ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, utilizou uma imagem do livro "Médico de Província", de Kafka, para ilustrar os desafios que o Governo tem pela frente para implementar o acordo com a 'troika'. "Um processo de ajustamento difícil", disse, pelo que "as maiores dificuldades estão para vir".

"Acredito que não há dúvidas de que o governo português está comprometido em cumprir o programa", disse o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que falava na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, numa mesa redonda sobre a "Definição de um Caminho de Crescimento para a Zona Euro".

Respondendo a perguntas da assistência da mesa redonda, transmitida também em directo pela Internet, o ministro português insistiu que Portugal não vai fraquejar na aplicação do programa a que se comprometeu, em Maio, com a 'troika' do FMI, do Banco Central Europeu e da União Europeia, para receber o resgate de 78 mil milhões de euros.

"Esse processo de ajustamento vai ser difícil. As maiores dificuldades ainda estão para vir", disse Vítor Gaspar, sem esclarecer se serão necessárias mais medidas de austeridade.

"Passar receitas é fácil, conseguir um entendimento com as pessoas é difícil", disse Vítor Gaspar, citando um personagem do escritor checo Franz Kafka. "Isto aplica-se a Portugal e à Europa", acrescentou o ministro português.

"O crucial é encontrar um entendimento com as pessoas, ter como resposta políticas públicas que funcionem, e isto aplica-se a Portugal e à Europa", insistiu o ministro, que admitiu que "os próximos anos serão difíceis" em Portugal.

O importante é "manter a comunicação e criar consensos políticos enquanto vamos prosseguindo", disse ainda o responsável português pelas Finanças na mesa redonda.

O encontro teve ainda a participação do comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, do investidor George Soros, da vice-directora-geral do FMI, Nemat Shafik, e de Gao Xiqing, que lidera o fundo de investimento chinês.

"O ano de 2012 vai ser crucial, e vamos ter os elementos chaves para o próximo ano já a 15 de Outubro, quando apresentarmos o Orçamento do Estado", acrescentou Vítor Gaspar.

Olli Rehn, que já tinha afirmado que há "sinais positivos" do programa português de assistência financeira e ajustamento económico, voltou a utilizar Portugal -- bem como a Irlanda -- para acalmar os mercados, assustados com a possibilidade de incumprimento da Grécia e com a dificuldade que Atenas está a ter em cumprir o seu programa, para receber da 'troika' fundos que lhe permita ter financiamento após o início de outubro, quando os cofres públicos gregos secam.

"O programa português está a correr muito bem e o país está a fazer muitos progresso em termos de reformas estruturais", disse o comissário, na mesa redonda.

"A Europa está estável e vamos ultrapassar a crise da dívida soberana", concluiu.

O ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, considerou que um modelo de governação da zona euro que se baseia na auto-disciplina dos países não é suficiente, e que é necessária maior integração política.

"Os acontecimentos recentes mostraram claramente que a auto-disciplina não chega", afirmou Vítor Gaspar, intervindo numa mesa redonda sobre a "Definição de um Caminho de Crescimento para a Zona Euro", durante a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

"À medida que a zona euro foi avançando acreditou-se que a auto-disciplina chegava [mas agora] é absolutamente natural regressar à união política, isso parece o caminho natural a seguir", acrescentou o ministro.