Economia

Mira Amaral discorda de redução de salários no sector privado

Mira Amaral discorda de redução de salários no sector privado

O presidente do Banco BIC, Mira Amaral, afirmou , este sábado, que a orientação da "troika" para a redução de salários no sector privado "não faz sentido" e sublinhou que "felizmente, o Estado não manda no sector privado".

"Não faz sentido, não se pode tratar o sector privado como o público, e felizmente, o Governo não manda no sector privado. Felizmente porque o Governo e o Estado quanto menos mandarem na economia, melhor", referiu.

Para o antigo ministro da Indústria, são as empresas que têm de se organizar e tomar as medidas que consideram necessárias para a sua sobrevivência.

"Cada sector é um caso e dentro de cada sector há empresas viáveis, que têm condições de pagar os salários actuais, e há outras que não têm. Estas têm de reduzir o número de pessoas e gastar menos em salários se quiserem sobreviver", acrescentou.

Sublinhou que este é "um esquema já está a ser seguido no sector privado há muito tempo".

"O aumento de desemprego dramático que temos tido, com falência nas empresas privadas, mostram que, bem ou mal, as empresas privadas já têm sofrido o custo da crise há muitos anos. Quem estava imune à crise e ainda não tinha tido ajustamentos era o sector público", afirmou.

Admitiu que "o que se fez no sector público, se calhar, era inevitável", mas "isso não significa que se possa extrapolar para o sector privado".

Mira Amaral falava em Braga, à margem da conferência "Poupança e Investimento - Preparar o Futuro", promovida pela Casa de Investimentos.

O antigo governante lembrou que neste momento Portugal está sem financiamento externo, porque a dívida pública chegou "a um nível de dívida tal que os credores se assustaram", pelo que é necessário reforçar a aposta na poupança.

"Neste momento, só há uma solução: pôr as finanças públicas em ordem, para transmitir uma imagem de confiança e credibilidade aos mercados externos, e todos nós aumentarmos a nossa poupança", alertou.

Sobre o plano de recapitalização dos bancos portugueses, o presidente do Banco BIC considerou que "era inevitável" o recurso aos 12 mil milhões de euros disponibilizados pela "troika" para o efeito.

"Os bancos iam precisar desse dinheiro, porque não havia poupança doméstica, não havia investidores portugueses para acorrer ao aumento do capital dos bancos, e sem investidores externos a apostar na banca portuguesa, era inevitável", acentuou.

Para Mira Amaral, os bancos, além do aumento de capital, através de fundos públicos, também precisam de liquidez, para conseguirem financiar a economia.

Esse aumento de liquidez, acrescentou, passa pelo aumento da poupança doméstica e por "algum dinheiro dos programas da troika".