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Matosinhos

"Fomos obrigados a romper" os serviços mínimos

"Fomos obrigados a romper" os serviços mínimos

Na refinaria de Matosinhos, muitos motoristas estão a "boicotar" os serviços mínimos. Dizem que foram "obrigados" a isso, pois receberam ameaças de despedimento das entidades patronais e não cedem. O clima chegou a estar tenso, nesta manhã de quarta-feira, e os primeiros camiões só entraram na refinaria com escolta policial.

"Rompemos com os serviços mínimos porque nos apontaram uma arma à cabeça. Depois das ameaças nas televisões, muitos colegas começaram a ser ameaçados de despedimento ou de processos disciplinares através de mensagens", garante José Rego, do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP).

Segundo aquele delegado sindical, muitos motoristas receberam mensagens das empresas onde trabalham, dizendo: "Sabes bem que recusaste fazer um serviço REPA". A maioria acrescenta que se o motorista não se apresentar ao serviço "é despedido".

"A maior parte dos motoristas que entraram [na refinaria] não estavam no piquete de greve mas foram pressionados para vir trabalhar", reforça o coordenador do SNMMP, Manuel Mendes.

Esses motoristas acabaram por entrar apenas com escolta policial. "Intercetamos alguns carros e falamos com eles. Alguns vieram para o piquete. Outros preferiram esperar pela policia", explica José Rego.

A escolta acabou por acontecer por volta das 10 horas e, desde então, quem cumpre os serviços mínimos é recebido com apupos por parte dos colegas que permanecem em piquete de greve, à frente da refinaria da Petrogal, onde montaram algumas tendas e preparam um churrasco. Já os que fazem "boicote" recebem palmas. "Matamos um porco e estamos a assar fêveras. Enquanto houver carne, vamos ficar por aqui", garante José Rego, embora deixe claro que a vontade dos motoristas é voltar a trabalhar, ou seja, que deixem de existir os motivos da greve.

"Se tivéssemos sido aumentados vinte cêntimos por ano, nesta altura já recebíamos cerca de 980 euros e não havia esta greve. Mas, como já não recebemos aumentos há 20 anos, não temos alternativa", acrescenta um motorista, que preferiu não se identificar.