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Oposição ataca medidas “insólitas” de Zapatero e sindicatos antecipam protestos

Oposição ataca medidas “insólitas” de Zapatero e sindicatos antecipam protestos

A oposição espanhola critica as medidas de redução do défice anunciadas pelo governo, considerando as iniciativas "insólitas", especialmente "num Governo de esquerda". Os sindicatos admitem a realização de protestos.

Em sucessivas intervenções, porta-vozes de todas as forças políticas de Espanha consideraram as medidas anunciadas por Zapatero tardias, inadequadas e, especialmente os da esquerda, como penalizadores dos mais fracos da economia.

Josep Antoni Duran i Lleida lamentou que o governo actue por pressão de Bruxelas em vez de "por iniciativa própria", o que demonstra que este "é um executivo com medo, que não pode governar".

"As tempestades de hoje vêm dos temporais que vocês semearam", disse, atacando tanto o PSOE, no governo, como o PP, maior força da oposição, por não conseguirem chegar a acordos amplos sobre a economia.

Josu Erkoreka, porta-voz do Partido Nacionalista Basco (PNV) sublinhou que não se pode usar "invenções de conspirações" de especuladores para "ocultar" as fraquezas da economia espanhola.

"Este é um governo que é forte com os débeis e débil com os fortes", acusou depois Joan Ridao, porta-voz da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), afirmando que há que ver se algumas das medidas são constitucionais e relembrando que no ano passado os cinco maiores bancos tiveram lucros de 16 mil milhões de euros.

Para Joan Herrera (ICV) a proposta de Zapatero é "especialmente insólita, ainda mais por vir de um governo de esquerda" e o porta-voz do Bloco Nacionalista Galego afirmou que o primeiro-ministro anda "entre a solidariedade ao inverso".

Protestos à vista

Numa outra reação, Cayo Lara, coordenador geral da Esquerda Unida (IU) afirmou que o governo passou "a linha vermelha", pelo que antecipou mobilizações sociais "importantes".

"Hoje é um dia mau. São medidas que os de baixo, os pensionistas e trabalhadores, mais sentirão. Enquanto os banqueiros e especuladores, que ficaram forrados de dinheiro saem de pontinhas", afirmou.

Criticas também da sociedade civil, da esquerda à direita, com a União Sindical Operária (USO), por exemplo, a afirmar que são novamente os cidadãos a pagar as crises das contas públicas criadas pelos governantes.

Como alternativa a USO defende eliminar os 700 assessores do Palácio da Moncloa (sede do Governo), reduzir ministérios e os seus assessores e o combate à fraude fiscal.

Também o conservador Fórum da Família criticou a eliminação do cheque-bebé de 2.500 euros, enquanto "se aumenta o gasto como o aborto".

O secretário-geral da UGT espanhola, Cândido Méndez, já classificou como "um ajuste duro" para muitas famílias as novas medidas de corte do défice anunciadas pelo Governo, admitindo que "com toda a probabilidade" haverá protestos.

As medidas, insistiu, traduzem uma "quebra do discurso político" do presidente do Governo e um "mudança de cenário no relacionamento com os sindicatos".