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Passos Coelho pede desculpa e restante oposição critica

Passos Coelho pede desculpa e restante oposição critica

(Em actualização) Líder do PSD justifica apoio dado ao Governo nas medidas de austeridade para acelerar a redução do défice com a “situação difícil” vivida em Portugal e na Europa. Restante oposição critica, nomeadamente, o aumento de impostos.

“Começo por pedir desculpa aos portugueses”, declarou Pedro Passos Coelho, cerca de duas horas depois de o Governo aprovar, em Conselho de Ministros, medidas adicionais ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que contaram com o acordo prévio do PSD.

“Peço desculpa, não por me sentir responsável pela situação internacional que justificou estas medidas” mas porque são “medidas duras para os portugueses e para o país.

“Temos vivido uma situação difícil em toda a Europa”, frisou o líder social-democrata. “É altura de dar a mão ao país dada a situação em que se encontra” e que se agravou nos últimos 15 dias. “É o maior aperto de que há memória nos últimos anos”, acrescentou.

Na negociação das medidas de austeridade, “o PSD colocou algumas condições, aceites pelo Governo”, salientou Passos Coelho, para enumerar três – que o esforço pedido ao país seja distribuído e seja também o Estado a dar o exemplo diminuindo a despesa pública; o reforço de meios da entidade parlamentar que controla a execução do Orçamento (UTAO - Unidade Técnica de Apoio Orçamental) para acompanhar mensalmente a redução da despesa com as medidas anunciadas e apresentar relatórios trimestrais; e a redução em 5% dos salários dos titulares de cargos políticos.

PCP: “É o regresso à ditadura do défice”

O secretário-geral do PCP reagiu às medidas anticrise aprovadas pelo Governo como um "caminho para o desastre" e apelou à "indignação" dos portugueses.

"As pessoas têm que reagir com indignação, com protesto e com luta para travar este caminho para o desastre (...) este é o pior caminho para resolver a situação e para resolver os problemas nacionais", disse Jerónimo de Sousa.

Para o líder comunista, as medidas de austeridade vão significar que "quem vai comer a talhada maior é quem vive dos rendimentos do seu trabalho".

"Estamos perante o regresso da ditadura do défice das contas públicas. Nós temos um problema central que é a dívida externa pública e privada, que resulta da fragilização do nosso aparelho produtivo. É por aqui que devemos atacar, não é colocando as pessoas com menos salários, uma vida mais cara, novas falências e mais desemprego", sustentou.

BE: Pacote anticrise “é um embuste”

“As medidas anunciadas são ineficientes porque não respondem às necessidades do país”, defendeu Francisco Louçã, líder do BE, numa reacção aos jornalistas no Parlamento. “É um embuste”, frisou.

Francisco Louçã disse que o aumento de impostos é “a violação da palavra dada” por José Sócrates durante a campanha eleitoral, considerando que a subida de 1% do IVA vai “aumentar as desigualdades”.

Na campanha eleitoral o actual primeiro-ministro disse “três mentiras”, uma delas é que não iam ser aumentados os impostos. Ainda segundo o líder do BE, “foi escondido um plano de privatizações” (aeroportos, correios, sector energético) que poderia gerar receitas para o Estado e as obras públicas são “uma floresta de contradições” porque “ninguém sabe o que o Governo pretende fazer”.