Economia

Pensionistas perderam 20% do poder de compra

Pensionistas perderam 20% do poder de compra

A austeridade está a pesar mais nos bolsos dos reformados e pensionistas. Desde 2010 perderam quase 20% do poder de compra. A quebra dos trabalhadores vai dos 15% no privado aos 18% da Função Pública.

O poder de compra dos portugueses diminuiu entre 15% e 20% desde 2010. E dois terços desta quebra devem-se ao aumento dos impostos e só um terço à inflação. Estas são as conclusões do mais recente estudo do economista Eugénio Rosa.

Os mais afetados são os pensionistas, em especial os da Caixa Geral de Aposentações, que, só por via do agravamento das taxas do IRS e da contribuição extraordinária de solidariedade, entre outros, viram o seu rendimento mensal reduzido em mais de 13%. Os reformados da Segurança Social perderam 12,5%. A isto junta-se o "efeito corrosivo" do aumento dos preços, de 7,5% no período em causa. Eugénio Rosa estima que, no caso dos trabalhadores do setor privado, a perda devida aos impostos seja de 8,3% (14,7% no total) e de 11,8% na Função Pública (18% no total).

Mas, nem assim, a dívida pública para de crescer. Eugénio Rosa socorre-se dos dados do Eurostat para provar que a política de "cortes brutais" não está a surtir efeitos. "Entre 1996 e 2006, a dívida pública cresceu 10,2 pontos percentuais, nos quatro anos seguintes aumentou 24,6 pontos percentuais e, entre 2010 e 2012, com a troika, aumentou 29,6 pontos percentuais".

Para José Reis, diretor da Faculdade de Economia de Coimbra, a redução do poder de compra traz consigo uma "insidiosa alteração" das relações sociais, dada a "fortíssima penalização" dos rendimentos do trabalho em favor dos financeiros". Reis reclama a reposição do trabalho e seus rendimentos em "lugar digno, para que possam ter efeito positivo na economia". Para João Duque, presidente do ISEG, a resposta está em alterar o padrão do PIB nacional, aumentando as exportações e diminuindo o peso percentual do consumo. Mas reconhece que "não é fácil".

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