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Portugal deve manter o rumo sem relaxar e aproveitar os louros

Portugal deve manter o rumo sem relaxar e aproveitar os louros

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, afirmou, em entrevista à RTP, que Portugal deve manter o rumo, "sem relaxar ou aproveitar os seus louros", e indicou que o país não está "inteiramente protegido" do Brexit.

"Portugal demonstrou a capacidade de se reformar, de se disciplinar, de implementar mudanças, e penso que o próximo passo é demonstrar que é capaz de o fazer a longo prazo, sem relaxar ou aproveitar os seus louros e pensar que o mais difícil está feito", disse Christine Lagarde, em entrevista à RTP.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou que "Portugal tem de manter o rumo", depois de ter mostrado ao mundo e aos mercados financeiros que era capaz de fazer reformas, de aplicar disciplina orçamental, de descer o défice e inverter o rumo da dívida pública. "Portugal melhorou significativamente a sua posição em termos económicos", frisou a responsável do FMI.

Em entrevista à RTP, a propósito da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Christine Lagarde considerou que Portugal não ficará imune ao Brexit.

"Portugal não está inteiramente protegido [do Brexit] porque há muito comércio entre Portugal e o Reino Unido e têm uma grande atividade de serviços, que é o turismo, amplamente aberto ao Reino Unido", referiu, questionando também o potencial impacto do regresso ao Reino Unido dos reformados britânicos que vivem em Portugal.

A líder do FMI comentou ainda o estado da banca em Portugal, referindo que "melhorou grandemente" na comparação com há seis, sete anos, mas alertou que "ainda não está num ponto de total segurança, com excelentes mecanismos de proteção, como poderia estar".

"Penso que o trabalho de limpeza, de remoção do crédito malparado tornarem os bancos absolutamente seguros tem de continuar", frisou Christine Lagarde.

Questionada sobre os processos de resolução dos bancos, a diretora-geral do FMI declarou que "deverá haver respeito pelos mecanismos de resolução, para que não acabem por ser os contribuintes a pagarem a conta".

Christine Lagarde afirmou ainda que o mecanismo de garantia europeu, agora adotado, que "irá cobrir todos os bancos na Europa", sendo financiado coletivamente pelos próprios bancos, "evitará que sejam os contribuintes a pagarem a despesa" em caso de resolução daquelas instituições.