Economia

Proprietários de veículos BMW avançam com queixa judicial na Coreia do Sul

Proprietários de veículos BMW avançam com queixa judicial na Coreia do Sul

Um grupo de proprietários de veículos BMW na Coreia do Sul interpôs uma queixa judicial contra aquele fabricante automóvel, por ter atrasado a revisão de 100 mil carros de motor a gasóleo com risco de incêndio.

Ha Jong-sun, advogado daqueles proprietários, explicou que foi interposta uma queixa contra seis trabalhadores do grupo alemão, incluindo o vice-presidente responsável pela Qualidade, John Ebenbichler, em nome de 20 proprietários de veículos e uma vítima de incêndio.

Mais de 30 viaturas, sobretudo o modelo 520d, incendiaram-se este ano na Coreia do Sul, tendo um aviso de revisão sido publicado apenas um mês depois, um atraso que já é alvo de contencioso com o governo local.

A BMW apresentou na segunda-feira desculpas aos proprietários vítimas de incêndios, explicando as causas técnicas, mas que não acalmou os condutores sul-coreanos.

"É difícil de acreditar que a BMW demorou dois anos a determinar a causa dos incêndios nos motores [...]. Um inquérito penal é necessário para encontrar as provas dessa dissimulação", disse aquele advogado à agência noticiosa France Presse.

Caso fiquem provadas as acusações, a pena pode passar por 10 anos de prisão e uma multa de 100 milhões de won (77.126 euros).

Ha Jong-sun referiu que o construtor já enfrenta um processo civil interposto por várias pessoas no sul do país.

Na quarta-feira, fonte oficial daquele grupo automóvel informou a Lusa que quase 2400 veículos BMW serão chamados à revisão em Portugal, num total de 324 mil veículos com motor a gasóleo em toda a Europa, devido a perigo de incêndio.

A partir da sede da marca, a fonte precisou que "clientes de 2359 veículos" serão chamados para a revisão num concessionário BMW, sem custos para os consumidores.

Uma fonte da empresa em Portugal tinha referido que a "BMW está a trabalhar nesta ação de chamada" e que prevê comunicar à rede de serviço até ao "final da próxima semana a informação relativa aos veículos afetados".

"Os clientes serão posteriormente contactados pela rede de serviço BMW para agendar a ação", segundo a mesma fonte da empresa em Portugal.

A chamada dos veículos ocorre depois de uma investigação do fabricante ter revelado um "mau funcionamento do módulo de recirculação dos gases de escape (EGR) que pode, em casos extremos, originar um fogo em alguns modelos BMW com motores a gasóleo".

"O BMW Group decidiu levar a cabo uma ação de chamada por forma a analisar o módulo EGR nos modelos BMW Série 3, Série 4, Série 5, Série 6, Série 7, X3, X4, X5, X6 com motores Diesel de 4 cilindros (produzidos entre abril 2015 e setembro 2016) e motores diesel de 6 cilindros (produzidos entre julho 2012 e junho 2015)", refere informação oficial.

O fabricante referiu que, em alguns casos, o radiador do módulo EGR pode ter fugas de líquido de refrigeração, que se acumula no módulo EGR.

"Quando combinado com sedimentos de óleo, este líquido pode tornar-se combustível. Devido às altas temperaturas dos gases de escape nesta unidade, estes depósitos podem inflamar-se e provocar, em casos extremos, um fogo", explicou ainda a BMW.

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