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Greve

Aeroportos de Lisboa e Faro devem ficar hoje sem combustível

Aeroportos de Lisboa e Faro devem ficar hoje sem combustível

O sindicato que decretou a greve dos motoristas de matérias perigosas diz que a requisição civil ainda não tem efeito prático. Aeroportos de Lisboa e Faro devem ficar sem combustível.

Em declarações à agência Lusa, Francisco São Bento, do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) disse que o Governo reconheceu a necessidade de usar a figura da requisição civil, mas esta ainda não tem aplicação prática, pelo que a greve se mantém com uma adesão a 100%.

O sindicalista falava depois de o Governo ter aprovado uma resolução do Conselho de Ministros que reconhece a necessidade de requisição civil no caso da greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou na segunda-feira.

Francisco São Bento alega que os serviços mínimos estão sobredimensionados e que, em greve, "nunca seria possível cumprir".

O despacho conjunto dos ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do Ambiente e da Transição Energética estabeleceu como serviços mínimos o "abastecimento de combustíveis aos hospitais, bases aéreas, bombeiros, portos e aeroportos, nas mesmas condições em que o devem assegurar em dias em que não haja greve", bem como o "abastecimento de combustíveis aos postos de abastecimento da Grande Lisboa e do Grande Porto, tendo por referência 40% das operações asseguradas em dias em que não haja greve".

"Ao declararem serviços mínimos destas dimensões pedem que os trabalhadores funcionem em greve como num dia normal de trabalho [...]. Uma vez que a consequência de uma greve é ter algum impacto para chamar a atenção de quem se pretende chamar à mesa das negociações, isto é a mesma coisa que os trabalhadores não poderem exercer o seu direito à greve", justificou Francisco São Bento.

O representante disse ainda que a previsão do sindicato é que ao início da tarde os aeroportos de Lisboa e Faro fiquem sem combustível.

Ao início da manhã, segundo o SNMMP, cerca de 40% a 50% dos postos de abastecimento já estavam sem combustível.

Segundo um comunicado da presidência do Conselho de Ministros, "a greve em curso afeta o abastecimento de combustíveis aos aeroportos, bombeiros e portos, bem como o abastecimento de combustíveis às empresas de transportes públicos e aos postos de abastecimento da Grande Lisboa e do Grande Porto".

A presidência do Conselho de Ministros acrescenta que a requisição civil foi decidida "depois de se ter constatado que no dia 15 de abril não foram assegurados os serviços mínimos" fixados pelos ministros do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do Ambiente e da Transição Energética.

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00.00 horas de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica, tendo sido impugnados os serviços mínimos definidos pelo Governo.