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Economia

Sindicatos pedem a G20 novo plano Marshall

Sindicatos pedem a G20 novo plano Marshall

A Confederação Europeia de Sindicatos pediu à Europa um novo "plano Marshall" para fomentar o crescimento e o emprego em vez da austeridade "sincronizada", nas vésperas do G20, que se reunirá quinta e sexta-feira em Cannes.

Sob o lema "Defendamos o crescimento, o emprego e os direitos dos trabalhadores", a CES participará em Cannes, juntamente com outras organizações e líderes sindicais de todo o mundo, na "cimeira laboral" que se realiza em paralelo à dos líderes dos países mais industrializados e emergentes, indicou a Confederação.

A secretária-geral da CES, Bernadette Ségol, reúne-se hoje com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, na qualidade de presidente em exercício do G20, a quem pedirá, tal como aos seus homólogos do G20, "o fim da austeridade sincronizada na Europa" e mais apoio mútuo na União Europeia para gerar emprego e crescimento.

A CES está preocupada com os "ataques" aos direitos dos trabalhadores em países europeus, como parte dos planos de austeridade e um possível papel da China no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

Também sublinha a necessidade de os sindicatos serem consultados pelo Conselho Europeu na altura de impulsionar os seus objectivos, dada a dimensão social da globalização.

Na reunião com Sarkozy, a secretária-geral da CES vai reiterar a sua proposta para "um novo plano Marshall", em cuja base deve haver mais apoio mútuo na União Europeia, por exemplo através da emissão de títulos de crédito europeus, e rejeitará o proteccionismo, frisando que a Europa continua a ser um dos maiores mercados do mundo, e um continente em que "muitos querem investir".

Segundo Ségol, a Europa corre o perigo de ser classificada como "o doente do mundo" e as desigualdades relativas a lucros estão a aumentar, ao passo que os salários estão a ser reduzidos, apesar de serem "o motor da economia".

Quanto à intenção da zona Euro de pedir à China que invista no FEEF para ajudar a Europa a sair da crise da dívida soberana, a secretária-geral da CES expressará a sua preocupação com o facto de a UE pedir ajuda a países que "não jogam com as mesmas regras".

A responsável da CES recordará que as demais economias não podem criticar a política monetária da China - que mantém subvalorizado o yuan, enquanto subsidia "maciçamente" os seus investimentos e exportações, "se recusa a aplicar padrões laborais decentes" e exige o estatuto de economia de mercado -- porque também na Europa "há problemas".

Existem, defende, "ataques aos direitos dos trabalhadores, impulsionados pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), em países como a Grécia e a Itália, mas também noutros Estados, como a Hungria, República Checa e Eslováquia, para oprimir esses direitos, desmantelar as estruturas de negociação colectiva e rir-se do diálogo social".

O sindicato europeu mostra-se, em princípio, a favor de uma alteração dos Tratados para implantar uma nova e mais rigorosa gestão económica na UE, mas adverte que defenderá a solidariedade e o progresso social primeiro que tudo.

Neste contexto, Ségol valoriza que a Comissão Europeia queira defender no G20 uma taxa global para as transacções financeiras, apesar da resistência de países como o Reino Unido e os Estados Unidos.