Economia

Sogrape está "ao nível das melhores do Mundo"

Sogrape está "ao nível das melhores do Mundo"

A Sogrape recebe hoje o prémio de melhor Produtor Europeu do Ano 2010 nos EUA, atribuído pela revista "Wine Enthusiast". Um prémio que, na categoria de vinhos de mesa, foi, pela primeira vez, atribuído a uma empresa portuguesa.

A escolha da empresa, segundo a revista norte--americana, deve-se ao percurso da Sogrape, desde que se lançou no mercado com a marca Mateus e foi juntando ao seu portefólio marcas poderosas como o Gazela, Grão Vasco, Sandeman, Ferreira, Offley, Callabriga, entre muitas outras. As vendas nos EUA situavam-se nos 1,5 milhões de euros, em 2001, e hoje atingem os 16 milhões de euros, representando 10% da facturação do grupo.

Que impacto tem este prémio no negócio da Sogrape nos EUA ?

Nos Estados Unidos e não só. Há prémios e prémios. Este é um prémio que nos dá imenso orgulho e satisfação. É um prémio que nos coloca ao nível das melhores empresas produtoras no mundo e dá prestígio nos EUA, mas também mundial. Diria que esta distinção não nos foi atribuída por uma coisa em específico. É como um prémio carreira por tudo o que nós temos vindo a fazer no sector dos vinhos, em geral, e no dos portugueses, em particular, e pelo trabalho e estratégia que temos vindo a desenvolver ao longo de vários anos, que começou com a marca Mateus e se foi desenvolvendo. Penso que este prémio distingue todo esse processo.

Qual é a marca de vinhos da Sogrape que mais vende nos EUA?

A marca que vende mais é o Gazela do portefólio de vinhos portugueses. Depois, dentro do portefólio da Sogrape, temos a Finca Flichman que são os nossos vinhos da Argentina que vendemos nos EUA.

As vendas do Gazela nos EUA subiram em 2010?

O Gazela cresceu 21% face a 2009 neste mercado. O que motivou outro prémio de outra revista, a "Wine Spectator", por termos tido um crescimento das vendas superior a 15% ao ano do Gazela.

Há planos para expandir outras marcas nos EUA?

Neste momento, estamos a desenvolver o nosso projecto de uma forma ponderada e conservadora e, nesta fase, estamos a consolidar aquilo que já temos. Estamos a aprimorar as operações de distribuição. Os tempos são mais de consolidação e de procurar fazer melhor, ser mais eficientes naquilo que fazemos. Ao mesmo tempo, estamos atentos, porque se os tempos são difíceis, também são de alguma oportunidade. Se houver situações que façam sentido, estamos dispostos a analisar, mas não estamos como no passado a investir.

O que representa o mercado dos EUA na facturação da Sogrape?

Os Estados Unidos é dos mercados que mais tem crescido de uma forma mais sustentada, onde facturamos este ano cerca de 22 milhões de dólares (16,3 milhões de euros). Hoje em dia, em termos de facturação, é o principal mercado porque representa 10% do volume de negócios da Sogrape.

Qual é a área que está a ter melhores resultados dentro do grupo?

Temos quatro origens: Portugal, Argentina, Nova Zelândia e Chile. A Argentina corre muito bem, EUA também. Ásia está a correr bastante bem, embora tenha um peso mais pequeno. As novas operações - Chile e Nova Zelândia - estão a crescer.

Em 2009, o grupo Sogrape facturou 186 milhões de euros, qual é a facturação de 2010? Havia uma estimativa de 195 milhões de euros.

Deve estar por esse valor aproximadamente de 195 milhões de euros, mais 5%. Para isso, contribuíram alguns pólos. O mercado português cresceu cerca de 5%. A Argentina cresceu 20% e os EUA 21%. Estes são os três pólos de maior crescimento. Um crescimento menor na zona a Ásia e Pacífico e, na Europa, o crescimento foi praticamente nulo.

Como vai ser 2011?

Em termos de projectos, estamos na fase de consolidação. Penso que vamos ter um crescimento mais regrado, mais ténue. Portugal continua a ter um peso muito importante na facturação, de 30%, e penso que iremos continuar a crescer, mas a um ritmo mais modesto. Qualquer coisa que aconteça em Portugal tem um impacto muito forte na nossa facturação, portanto, como não antevejo grandes crescimentos para Portugal, prevejo para 2011 um crescimento ténue.

A Sogrape é líder nas vendas nacionais de vinhos de mesa?

No mercado português temos a maior quota de mercado nos vinhos de mesa acima de dois euros. Mas, em Portugal, 80% do volume de vendas é abaixo dos dois euros e nesse segmento nós não estamos.

Como correu a produção de vinho em 2010?

Foi um ano atípico. Tivemos uma produção na região sul, Alentejo, média em termos de qualidade e grande em quantidade. O que é importante porque tivemos colheitas curtas em 2008 e 2009, e 2010 foi importante para repormos stock. No Douro, a vindima não começou bem, mas acabou bastante bem. Os últimos vinhos vindimados foram de elevada qualidade. De uma forma geral, foi muito boa no Dão, e também nos vinhos verdes foi boa em quantidade e qualidade, e permitiu repor stocks.

ver mais vídeos