Economia

Venezuela desiste da compra do ferry "Atlântida"

Venezuela desiste da compra do ferry "Atlântida"

O Governo da Venezuela já comunicou oficialmente à administração da Empordef que deixou de estar interessado na compra do ferryboat "Atlântida", disse, esta sexta-feira, à Agência Lusa o secretário-geral da 'holding' das indústrias de defesa.

O acordo para a venda do navio, encomendado e posteriormente rejeitado pelo Governo Regional dos Açores aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), foi anunciado publicamente pelo Governo português e pelo executivo de Chavez, a 20 de Fevereiro deste ano.

Previa a compra do navio por 42,5 milhões de euros, num negócio que foi impulsionado pelo próprio líder venezuelano, que visitou a empresa, em Viana do Castelo, no ano passado.

A "desistência oficial" do negócio por parte da Venezuela foi agora confirmada à Empordef, que tutela os ENVC.

"A Venezuela informou-nos de que o negócio está fora de hipótese. Oficialmente já não querem o navio", afirmou esta sexta-feira à Lusa o secretário-geral da Empordef, Luís Rochartre Álvares, sem adiantar motivos para esta posição.

Desde 28 de Agosto que o navio está ancorado no Arsenal do Alfeite, depois de provas de mar na viagem de Viana do Castelo, que segundo fonte do Ministério da Defesa foram "um sucesso".

Em Junho passado, o então presidente do Conselho de Administração dos ENVC, Carlos Veiga Anjos, admitiu que a venda do "Atlântida" à Venezuela, acordada anteriormente, continuava, afinal, num impasse, apesar de a entrega ter estado prevista para o Verão, depois da sua reconversão em navio cruzeiro.

O "Atlântida" tem capacidade para transportar 150 viaturas, a adaptação a navio cruzeiro, para fins turísticos, previa a eliminação dessa valência passando a dispor de camarotes para 300 pessoas.

Em Outubro de 2010, de visita a Portugal, o próprio Hugo Chavez fez questão de ver de perto o navio e anunciou a intenção de criar uma linha de transportes marítimos entre o porto de La Guaira e as ilhas de Orchila, Los Roques e Margarita.

"Que tremendo ferry, compadre", afirmou Chavez.

O navio deveria ter seguido em 2009 para os Açores, mas o Governo Regional rescindiu o contrato com a empresa pública de Viana do Castelo alegando uma diferença na velocidade máxima.

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