Economia

Irlanda vai cortar menos 600 milhões que o previsto com a "troika"

Irlanda vai cortar menos 600 milhões que o previsto com a "troika"

O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, anunciou, esta terça-feira, que o Orçamento do Estado prevê cortes de 2.500 milhões de euros, menos 600 milhões que o previsto anteriormente com os inspetores da "troika".

Noonan, que vai apresentar as contas para 2014 na próxima terça-feira, justificou que não será necessário um orçamento tão austero para cumprir os objetivos fixados pelo programa de ajuda porque as arcas do Estado têm "poupanças importantes" e a economia está a recuperar.

"As coisas vão bem. Claro que ainda temos que apresentar um orçamento duro, mas não tão duro como pensávamos há dois meses", declarou o ministro.

O resgate pedido pela Irlanda em 2010 à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de 85.000 milhões de euros obriga o Governo de coligação entre conservadores e trabalhistas a adotar reformas para reduzir o défice em 2014 para 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e em 2015 para 3% do PIB.

Consequentemente, a "troika", formada pelo Banco Central Europeu (BCE), a Comissão Europeia e o FMI, tinha aconselhado Dublin a manter o rumo da atual politica de austeridade para os próximos dois anos através de ajustamento de 3.100 milhões de euros em 2014 e de 2.000 milhões de euros em 2015.

No entanto, os encontros das últimas semanas entre os inspetores e Dublin parecem ter convencido a "troika" de que a Irlanda poderá cumprir as metas marcadas no programa de ajuda, incluindo a do défice, sem necessidade de cortes até 3.100 milhões de euros em 2014.

O Governo irlandês apoiou-se nos bons indicadores macroeconómicos do país e nos relatórios positivos dos inspetores do resgate, bem como na poupança gerada pela reestruturação da dívida do Anglo Irish Bank, a entidade financeira cujo colapso forçou o pedido de resgate.

O primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, e Noonan chegaram em fevereiro a um acordo com o BCE para modificar as condições do resgate do Anglo, abrindo a porta à reestruturação do empréstimo de 31.000 milhões de euros concedido em 2010 a Dublin para salvar o banco e à obtenção de poupanças de 3.100 milhões de euros.

O Governo também espera abandonar o programa de ajuda no final deste mês se continuar a financiar-se com êxito nos mercados de dívida, fazendo com que surgissem pedidos para uma flexibilização da atual política de austeridade.

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