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Kia criou novo ecossistema para a transição no setor automóvel

Kia criou novo ecossistema para a transição no setor automóvel

Este é um ano de viragem para a marca sul-coreana, que rompeu com o modelo tradicional de fabrico de automóveis e expandiu-se para novos produtos e serviços de mobilidade sustentável.

A Kia, uma das grandes indústrias da Coreia do Sul e uma das maiores construtoras de automóveis do mundo tem, desde o início do ano, um novo slogan. "Movement that inspires" - ou, em português, "Movimento que inspira" - não pretende ser uma simples operação de cosmética da marca. Por detrás do lema recentemente adotado está uma das mais ambiciosas estratégias do setor a envolver não apenas novos modelos de veículos elétricos a lançar até 2027, como soluções diversificadas de mobilidade sustentável ou ainda processos industriais focados em materiais reciclados e energias limpas.

"O movimento é algo que sempre esteve na essência da nossa marca, e movimentar pessoas sempre foi a parte fulcral do nosso negócio. O movimento ajuda a Humanidade a progredir, melhorar e evoluir constantemente. É por isso que acreditamos que o movimento inspira ideias", justifica Artur Martins, vice-presidente global de marca e marketing da Kia. Está-se, portanto, num ponto de viragem, com a quebra do modelo tradicional, orientado pelo fabrico de automóveis, e a expansão para áreas de negócio emergentes através de produtos e serviços de mobilidade.

São novos objetivos que já não se ajustam aos velhos conceitos e que levaram a construtora a retirar da designação corporativa a palavra "Motors" - até aqui "Kia Motors Corporation". A marca sull-coreana está na indústria do "movimento" há mais de 75 anos, tendo começado com uma fábrica de bicicletas, na década de 1950, passando depois a produzir motociclos e carrinhas de entregas até chegar, aos dias de hoje, às viaturas de passageiros para milhões de pessoas em todo o mundo.

Da produção aos serviços sustentáveis

Agora, nesta nova década, a estratégia assume outros rumos, mais alinhados com os ritmos urbanos em permanente mudança e com os transportes flexíveis, integrados e ambientalmente sustentáveis. Todas estas ambições estão incluídas no "Plano S", anunciado em 2020 e definido como uma estratégia de médio e longo prazo da Kia para alargar as suas áreas de negócios e intensificar as práticas de produção mais sustentáveis.

A marca está, por isso, a investir em veículos elétricos a bateria (BEV), planeando reforçar a sua gama com sete modelos a lançar até 2027. Os novos automóveis irão incluir hatchbacks/fastbacks, SUV e MPV, de diversos segmentos, todos equipados com tecnologia que lhes assegurará uma grande autonomia e carregamentos de alta velocidade, graças à nova Plataforma Modular Elétrica-Global (E-GMP) do Hyundai Motor Group.

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Em desenvolvimento está também a gama de Veículos para Fins Específicos (PBV), destinada aos clientes empresariais. Estas viaturas terão como base plataformas "skateboard" flexíveis, com carroçarias modulares concebidas para frotas empresariais e em parceria com empresas como a Canoo e a Arrival. Tendo em conta o crescimento do comércio eletrónico e dos serviços de mobilidade partilhada, os PBV adaptados da Kia vão estar sobretudo vocacionados para esquemas de carsharing, carrinhas de caixa baixa para logística e veículos de entregas.

Além disso, a Kia está a expandir também as suas parcerias com empresas de soluções de mobilidade, diversificando a oferta de serviços. Em 2018, a marca investiu, por exemplo, na Grab, a maior plataforma de serviços de transporte de passageiros, entrega de comida e soluções de pagamento do Sudeste Asiático. Em março do ano seguinte, investiu na Ola, empresa indiana de serviços de mobilidade, entre os quais a partilha de viaturas entre utilizadores (P2P ridesharing), plataformas de transporte de passageiros, táxis e entrega de comida.

A Kia implementou ainda outros serviços de mobilidade, como é o caso da WiBLE, uma joint venture com a Repsol (empresa espanhola do ramo da energia) que fornece serviços de partilha de viaturas, contando com mais de 130 mil membros registados por toda a Europa. Um novo serviço, o KiaMobility, foi também lançado em diversos pontos de Itália e da Rússia, em setembro do ano passado, podendo alcançar novos mercados nos próximos anos.

A nova era da eletrificação

O culminar desta grande viragem aconteceu no primeiro trimestre deste ano com a apresentação do EV6, o primeiro veículo elétrico com plataforma dedicada da Kia, que marca a mudança de foco para a eletrificação. Suportado na tecnologia Electric-Global Modular Platform (E-GMP), o modelo, já com o novo logótipo, será oficialmente lançado em Portugal em outubro, com um design inspirado nos crossovers, autonomia superior a 500 km e um tempo de carregamento de alta velocidade inferior a 20 minutos.

Com a sua gama crescente de BEV, a marca aponta para uma quota do mercado global deste tipo de veículos na ordem dos 6,6% até 2025, correspondendo a um volume de vendas anuais globais de 500 mil unidades até 2026. Em 2030, os automóveis amigos do ambiente, tais como os plug-in e os 100% elétricos, serão responsáveis por 40% da totalidade das vendas da Kia. A meta será, no intervalo de uma década, aumentar as vendas dos elétricos EV para as 880 mil unidades e tornar-se uma marca líder mundial.

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