Economia

Lei dos tempos de condução pode levar rebocadores a parar fora do horário de expediente

Lei dos tempos de condução pode levar rebocadores a parar fora do horário de expediente

O presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel adiantou hoje que as empresas de reboques admitem proceder a uma paragem nacional fora do horário de expediente em protesto contra os limites impostos pela legislação dos tempos de condução.

António Teixeira Lopes declarou à Lusa que "a qualquer momento o país pode ficar sem rebocadores a partir das 18 horas ou ao fim de semana, porque a norma comunitária sobre os tempos de condução e repouso foi adaptada a Portugal de uma forma que obriga a haver três condutores por reboque e as empresas não têm como corresponder a isso".

"O Governo esquece-se de que os rebocadores são como os bombeiros", explica esse responsável, que defende que deveria haver uma equiparação dos dois sectores de actividade.

"Os rebocadores podem estar todo o dia de serviço, mas só são chamados para uma emergência à noite, pelo que as oito horas em que estiveram na empresa sem nenhuma ocorrência não pode contar da mesma maneira que o tempo de trabalho de um motorista de pesados, que esteve realmente a conduzir de manhã à noite".

António Teixeira Lopes afirma que "as empresas não têm hipótese de contratar mais gente" e que "o que acontece é que, depois, são multadas em 3000 ou 4000 euros quando a polícia apanha o condutor de um reboque a circular para além das suas oito horas de serviço".

Realçando que anda "a alertar o Governo para esta situação desde 2007", o presidente da ARAN garante que a situação se "complicou nos últimos tempos porque os combustíveis aumentaram de preço, as empresas começam a ser inviáveis e, quando os rebocadores recebem uma multa nesses valores, é um prejuízo muito grande que se vêem aflitos para recuperar".

Daí que, dada a impossibilidade de contratar os profissionais necessários e para evitar as elevadas multas, os rebocadores admitam agora parar fora do horário de expediente, aos fins de semana e aos feriados.

António Teixeira Lopes observa que em Espanha a mesma directiva comunitária foi aplicada de forma "mais razoável", embora obrigando ao preenchimento de "uma caderneta muito complexa", e espera que uma resposta à recomendação que a ARAN dirigiu à Secretaria de Estados dos Transportes.

"Se não nos apresentarem uma solução", avisa o representante do sector, "os rebocadores vão deixar de trabalhar até verem o problema resolvido".