Tesouraria

Leilão de 750 milhões em dívida a 10 anos a juros mais altos

Leilão de 750 milhões em dívida a 10 anos a juros mais altos

O IGCP colocou esta quarta-feira 750 milhões de euros, montante máximo indicativo, em Obrigações do Tesouro a cerca de 10 anos, à taxa de juro de 2,330%, superior às registadas este ano em maturidades similares.

Segundo a página do IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública na agência Bloomberg, a procura das Obrigações do Tesouro (OT) com maturidade em 17 de outubro de 2031 (cerca de nove anos e quatro meses), leiloadas esta quarta-feira, atingiu 2.011 milhões de euros, 2,68 vezes o montante colocado.

No anterior leilão comparável realizado em 9 de fevereiro, antes do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, a agência colocou 706 milhões de euros em OT com maturidade em 17 de outubro de 2031 (cerca de dez anos) à taxa de juro de 1,008%, superior à de 0,314% registada em 10 de novembro, quando foram colocados 686 milhões de euros em OT também a cerca de 10 anos.

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A procura cifrou-se então em 896 milhões de euros, 1,27 vezes o montante colocado.

Mais recentemente, em 11 de maio, o IGCP colocou 750 milhões de euros, montante máximo indicativo, em OT com maturidade em 18 de outubro de 2030 (cerca de oito anos e cinco meses) à taxa de juro de 1,767%, superior às registadas em fevereiro, tendo a procura atingido 1.397 milhões de euros, 1,86 vezes o montante colocado.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) tinha anunciado para hoje a realização de um leilão de OT a cerca de 10 anos, com um montante indicativo entre 500 e 750 milhões de euros.

"Processo de normalização económica"

Comentando o leilão de OT, o diretor de Investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, afirmou que a saída de taxas de juro negativas "é um processo de normalização económica e saudável para a economia", sublinhando que "o problema atual é que o ritmo a que tudo está a acontecer está a ser muito mais rápido do que se previa inicialmente".

"Os países da periferia têm sido mais penalizados neste movimento, Portugal não é exceção e o seu 'spread' versus a Alemanha continua a aumentar", adiantou o responsável do Banco Carregosa, sustentando que "o prémio de risco de Portugal continua a subir e a refletir o movimento que temos assistido globalmente nas taxas das dívidas soberanas".

"No início do ano era expectável que fossemos assistir a uma subida nas taxas das dívidas soberanas, no entanto a elevada inflação que se faz sentir globalmente, a guerra na Ucrânia e os novos confinamentos na China, vieram criar novas disrupções no ciclo económico", sustentou, referindo que "os bancos centrais têm vindo a correr atrás do prejuízo, quer retirando estímulos de forma mais rápida do que se esperava inicialmente, como elevando as taxas de juro".

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