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Liderança de Portugal na produção de bicicletas em destaque no "Le Monde"

Liderança de Portugal na produção de bicicletas em destaque no "Le Monde"

A notícia que o jornal francês "Le Monde" escreveu, terça-feira, a propósito da liderança de Portugal na produção de bicicletas e a importância de Águeda para o setor, conta a história de um "David Europeu" que "ergueu a cabeça para o Golias chinês" e de como o "vale das bicicletas" em Águeda é decisivo para o setor das duas rodas. Intitulado "La florissante vallée du vélo portugaise" (O florescente vale do ciclismo português, numa tradução livre), teve direito a chamada à primeira página.

Gil Nadais, diretor-geral da Abimota, a associação que representa o setor das duas rodas em Portugal, acredita que o artigo foi impulsionado pelos números do Eurostat, o gabinete de Estatísticas da União Europeia, que dão nota da liderança de Portugal na Europa no que concerne as duas rodas. Esta notícia, num jornal com a "tiragem e influência" do "Le Monde", diz Gil Nadais, poderá ajudar a "reforçar ainda mais o papel do setor português das duas rodas na Europa e no mundo".

No ano passado, Portugal foi o primeiro produtor de bicicletas da União Europeia, com 2,7 milhões de unidades, destronando a Itália (2,1 milhões). No pódio dos principais produtores, seguem-se a Alemanha (1,5 milhões) e a Polónia (0,9 milhões).

Boas expectativas para 2020

A expectativa é que os bons resultados se mantenham este ano, até porque o setor está a "recuperar bem" da pandemia, diz Gil Nadais. O responsável acredita que, quando se fecharem as contas de 2020, "vamos ter um ano que ultrapassa, em produção e volume de exportações, o que aconteceu em 2019".

Para estes números, destaca o jornal, contribuíram decisivamente as medidas anti dumping introduzidas por Bruxelas, que ajudaram a proteger o setor da China.

No início da década de 1990, os produtores europeus pediram ajuda à Comissão Europeia para fazer face à concorrência desleal dos ciclos ultra-subsidiados de Pequim. Para os apoiar, Bruxelas criou impostos antidumping de 30,6% sobre as importações de bicicletas chinesas, que depois aumentaram para 48,5%, escreve o "Le Monde".

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Em 2018, tendo em consideração que a participação de mercado de bicicletas elétricas chinesas subiu de 10% para 35%, entre 2014 e 2017, na Europa, enquanto o preço sofreu uma queda, Bruxelas também aplicou medidas sobre estes veículos.

A produção em Portugal resistiu ao embate e, nos últimos anos, disparou. No ano passado, o país tornou-se líder na União Europeia em termos de produção. O "David europeu ergueu a cabeça para o Golias chinês", descreve o "Le Monde".

O setor cria em Portugal cerca de 8 mil empregos e a maioria das empresas estão a sul do Porto, mais concretamente em Águeda. Ali, a elevada concentração de indústrias é tal, que o Le Monde lhe chama o "vale da bicicleta português".

O jornal falou com várias empresas e descreve como as empresas têm sentido um aumento da procura devido à pandemia e a aposta que tem sido feita na inovação. Num outro artigo, realça ainda o caso da Murtosa, que tem procurado "desenvolver o ecoturismo e diversificar a economia" a partir da bicicleta.

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