Economia

Margens e comissões elevam lucros do BCP

Margens e comissões elevam lucros do BCP

O banco liderado por Miguel Maya aumentou os resultados líquidos no primeiro semestre à boleia da margem financeira e das maiores receitas com comissões.

OBCP apresentou um lucro de 74,5 milhões de euros na primeira metade do ano, cerca de seis vezes mais que os 12,3 milhões reportados no mesmo período de 2021. Os resultados do banco beneficiaram de um aumento da margem financeira e das comissões cobradas a clientes. Naquele primeiro indicador - que mede a diferença dos juros que o banco paga para se financiar e cobra nos empréstimos que concede - houve um aumento de 28,6% para 985,2 milhões de euros. Já as receitas com comissões cresceram 9,8% para 387,6 milhões de euros.

Na operação em Portugal, o banco teve um lucro de 174,5 milhões de euros, mais 63,1% face ao período homólogo, excluindo alguns itens específicos.

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"Para este aumento significativo do resultado líquido na atividade em Portugal contribuíram, por um lado, o aumento dos proveitos core, refletindo o desempenho positivo evidenciado quer pela margem financeira, quer pelas comissões líquidas, e por outro, a redução registada nos custos com o pessoal, refletindo, sobretudo, a constituição, no primeiro semestre de 2021, de uma provisão, no montante de 81,4 milhões de euros, para fazer face aos custos com o plano de ajustamento do quadro de pessoal que o banco levou a cabo nesse ano", explicou a instituição no comunicado sobre os resultados divulgado esta quarta-feira.

Apesar do crescimento dos lucros, a atividade do banco foi penalizada pela atividade internacional. O BCP teve encargos extraordinários com o Bank Millennium na Polónia, do qual detém 50,1%, assumindo encargos de 257,8 milhões de euros com as carteiras de crédito à habitação denominadas em francos suíços, 54,3 milhões para o Fundo de Proteção Institucional e o registo da imparidade do goodwill do Bank Millennium de 102,3 milhões. Excluindo os impactos associados aos créditos em divisa suíça, o banco referiu que o lucro consolidado do primeiro semestre seria de 200,9 milhões, mais 58,8% que no mesmo período de 2021 caso esses efeitos também tivessem sido tidos em conta.

Mesmo com esses encargos na Polónia, a margem financeira nesse país está a crescer a um ritmo elevado, melhorando em cerca de 50%. Em Portugal, a evolução desse indicador foi mais moderada, apresentando "um crescimento de 5,2% face aos 409,3 milhões de euros apurados no final do primeiro semestre de 2021, ascendendo a 430,5 milhões de euros, nos primeiros seis meses de 2022". O banco detalha que "apesar dos níveis historicamente baixos em que as taxas de juro se têm situado, penalizando a evolução da margem financeira na atividade em Portugal, importa referir os recentes aumentos registados nas taxas de juro que terão impacto no rendimento gerado pela carteira de crédito performing, impulsionado pelo aumento registado nos volumes de crédito".

Menos balcões e trabalhadores

A explicar a melhoria dos resultados do banco estão ainda os cortes de custos. A nível consolidado, o BCP baixou em 12,5% os custos de estrutura, que caíram para 516,2 milhões de euros. Isto excluindo alguns fatores específicos. Também na operação em Portugal, esse indicador caiu, principalmente devido aos menores custos com pessoal. "Refira-se que a evolução favorável dos custos operacionais na atividade em Portugal, excluindo os itens específicos, ficou a dever-se às poupanças obtidas nos custos com o pessoal, resultado da implementação do referido plano de ajustamento do quadro de pessoal que o Banco levou a cabo em 2021".

O banco continuou a reduzir o número de balcões e de trabalhadores em Portugal. No final de junho tinha 415 agências, menos 43 que em junho do ano passado. Já o número de funcionários baixou em 683 para 6254 colaboradores.

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