Empréstimos

Mais 500 famílias suspenderam a prestação da casa ao banco

Mais 500 famílias suspenderam a prestação da casa ao banco

Em janeiro, 302 900 particulares estavam a beneficiar das moratórias bancárias no crédito à habitação, um aumento de meio milhar face a dezembro.

O arranque de 2021 foi marcado por um aumento do número de famílias que aderiram às moratórias no crédito à habitação. Apesar de ter descido o total de clientes bancários abrangidos pela medida, no crédito hipotecário a tendência é de subida. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco de Portugal, no final de janeiro existiam 302 900 famílias com o pagamento da prestação da casa ao banco suspenso. São mais 500 famílias do que em dezembro de 2020.

Quanto ao montante de moratórias no crédito à habitação, cresceu 71 milhões de euros entre dezembro e janeiro. Passou de 17 074 milhões para 17 145 milhões de euros. Corresponde a 17,8% do total do crédito hipotecário devido pelas famílias.

Esta subida coincidiu com a aprovação das alterações ao regime da moratória pública, em dezembro passado, que vieram permitir a adesão ao regime até ao final de março de 2021.

No entanto, se se considerar o total do crédito (e não apenas o da habitação), em janeiro eram 408 mil as famílias com pagamento das prestações dos empréstimos suspensas (16,1% do crédito total devido pelas famílias), menos cinco mil do que em dezembro. Em valor, representa uma descida de 20,066 milhões de euros em dezembro, para 19,993 milhões, em janeiro.

Aderir por precaução

Mas se há famílias que aderem às moratórias devido à quebra de rendimentos, também há as que adotam a medida preventivamente devido ao clima de incerteza quanto ao futuro. "Há muitas famílias que aderiram às moratórias por precaução", disse Nuno Rico, economista da Deco.

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"Penso que a maioria das famílias viu as moratórias como uma boa maneira de atirar para a frente a prestação da casa", disse Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros.

Para os economistas, o mês de abril vai servir como um primeiro barómetro para perceber como poderá aumentar o incumprimento no crédito em 2021.

A moratória privada no crédito à habitação criada pela da Associação Portuguesa de Bancos termina o seu prazo no final deste mês de março. Está em causa um montante de créditos de 3,7 mil milhões de euros, o que corresponde a 21,5% do total de crédito hipotecário que estava abrangido pelo regime de moratórias no final de janeiro.

Em abril, serão milhares as famílias portuguesas que voltarão a ter de pagar a sua prestação mensal da casa ao banco. "Estou curioso de saber como vai ser a evolução do crédito malparado em abril", disse Filipe Garcia. Já a moratória pública termina no final de setembro.

45, 7 mil milhões de euros

Foi o montante total de créditos em regime de moratória no final de janeiro, diminuiu face ao mês anterior, mas distante do máximo alcançado em setembro (48MM€).

Atenção a outubro

A moratória pública termina no final de setembro. A maioria das prestações ao banco que estavam suspensas vão retomar a normalidade em outubro e há receios em relação a um possível aumento acentuado no crédito malparado.

Preparar a transição

Os banqueiros têm pedido a criação de medidas que possam preparar a transição do fim do regime de moratórias. Também a Deco tem apelado a que possa haver um plano que permita que as famílias se consigam adaptar ao regresso ao pagamento regular das prestações dos créditos.

Empresas

Quanto ao setor empresarial, eram 54 mil as sociedades abrangidas pelas moratórias em janeiro, o que corresponde a 22,4% dos devedores do setor. Cerca de um terço dos créditos concedidos a empresas está com o pagamento das prestações suspenso, segundo o Banco de Portugal.

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