Que se lixe a troika

Manifestantes do Porto contrariam ordem da polícia no trajeto do desfile

Manifestantes do Porto contrariam ordem da polícia no trajeto do desfile

Os participantes na manifestação convocada pelo movimento "Que se lixe a troika" no Porto, contrariaram, este sábado, as ordens da polícia em relação ao percurso previsto para o desfile, mas não se registaram incidentes.

A manifestação "Que se Lixe a Troika" terminou este sábado no Porto antes das 17 horas, com a organização a apontar a presença de "mais de duas mil pessoas" e a polícia a indicar a participação de "mil manifestantes".

"Ainda pensámos num número superior, mas eram pessoas que estavam a assistir, não propriamente manifestantes. Contabilizámos cerca de mil manifestantes", indicou à Lusa Manuel Santos, comandante do policiamento da PSP do Porto na operação de segurança que envolveu o protesto "Que se Lixe a Troika - Não há Becos sem Saída" no Porto.

João Vilela, da organização, contabilizou "bem mais de duas mil pessoas" na manifestação que começou na Praça da Batalha e passou pelas ruas 31 de Janeiro e Sá da Bandeira para terminar na Avenida dos Aliados, onde várias pessoas esperavam pela chegada do grupo.

Empunhando um cartaz onde escreveu "O Governo português odeia os portugueses pobres", Luís Leite, de 61 anos, desempregado há três, quis participar no evento para "mostrar o descontentamento do país".

"Temos o direito de votar mas temos de ter o direito de dar o voto de despedimento a este Governo. O primeiro-ministro anda a roubar toda a gente. Estamos todos a ser roubados. Porque não criam um imposto sobre as grandes fortunas? Os pobres não têm de pagar tudo neste país!", desabafou, em declarações à Lusa.

A poucos meses de ficar sem o subsídio de desemprego de 670 euros, Luís Leite admitiu ter "duas netas a passar fome".

PUB

"O meu filho, de 38 anos, ficou desempregado. A minha nora é funcionária pública e anda a ser roubada. Não têm dinheiro para sustentar a casa e a família", lamentou.

Em casa de Luís Leite, as coisas não estão melhores, já que o desempregado vive com a esposa e outros dois filhos, um dos quais também desempregado, aos 26 anos.

"Como é que uma pessoa consegue viver? Pago 350 euros de renda. Mais 100 de luz e 30 de água, mais o gás... Como é que vou comer? Fico com o quê para sobreviver?", questionou.

A redução do número participantes em relação a outros protestos do movimento "Que se Lixe a Troika" foi sobretudo notória antes do início do desfile, mas João Vilela sublinhou que "menos pessoas não significa menos gente descontente, basta andar na rua".

Ao longo do trajeto foram-se juntando ao grupo algumas pessoas, ao mesmo tempo que nos passeios se concentravam outras para ver passar o protesto, tirar fotografias e repetir as palavras de ordem gritadas no momento.

"Governo, Cavaco, são farinha do mesmo saco", "Demissão", "FMI fora daqui" e "O povo unido jamais será vencido", foram algumas das frases repetidas pelos manifestantes.

Durante o evento ouviram-se três fortes explosões em vários momentos distintos, mas Manuel Santos, comandante do policiamento da PSP do Porto na operação de segurança, não soube indicar do que se tratou.

Mudança de trajeto

O responsável desvalorizou também o facto de os participantes terem contrariado as indicações da polícia em relação ao percurso para o desfile.

No final da rua 31 de Janeiro, alguns agentes da PSP encaminhavam jornalistas e manifestantes em direção à Praça da Liberdade, mas o grupo decidiu prosseguir em direção à Rua Sá da Bandeira, gritando "a rua é do povo".

A manifestação do "Que se lixe a troika" decorreu em 14 cidades portuguesas para protestar contra as políticas de austeridade do Governo.

As ações decorreram em Aveiro, Braga, Beja, Coimbra, Faro, Portimão, Funchal, Horta, Lisboa, Portimão, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG