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Marcas pagam ao Fisco por híbridos que não conseguem vender

Marcas pagam ao Fisco por híbridos que não conseguem vender

Centenas de matrículas deste ano com imposto de 2020 impediram maior quebra do mercado em janeiro.

Janeiro de 2021 foi o melhor mês de sempre para as matrículas de automóveis híbridos não plug-in em Portugal. Este também foi o mês em que estes carros perderam benefícios fiscais no momento da compra.

O que parece um céu estatístico vai transformar-se num inferno para os concessionários: vão ter de pagar o imposto de circulação (IUC) enquanto estes veículos não forem vendidos.

Com o segundo confinamento, as lojas vão ter ainda mais dificuldades em escoar os automóveis e podem implicar preços mais baixos quando os estabelecimentos reabrirem.

Para já, as matrículas permitiram que o mercado automóvel recuasse 28,5% no primeiro mês do ano, para 12 515 unidades, segundo a Associação Automóvel de Portugal (ACAP). O organismo reconheceu que o registo de "várias centenas de veículos híbridos com imposto liquidado em 2020" impediu uma travagem ainda maior.

Mas os problemas vêm já na próxima curva. "As marcas estão a assumir um prejuízo porque não têm clientes para estes carros. A situação é ainda mais grave porque os concessionários estão fechados e as empresas vão estar a pagar o IUC em stock", alerta ao JN/Dinheiro Vivo o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro.

Com o Orçamento do Estado para este ano, os híbridos só têm desconto no ISV, imposto pago na compra de um veículo, se apresentarem uma autonomia em modo elétrico superior a 50 quilómetros e emissões oficiais abaixo dos 50 gramas de dióxido de carbono por quilómetro (CO2/km).

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Algo impossível de medir nos híbridos sem ficha de carregamento e que os leva a pagar a totalidade do imposto. Até então, tinham um desconto de 40%. Os híbridos plug-in que não cumprirem essa regra também deixaram de beneficiar de uma redução de 75%.

A antecipação de várias marcas impulsionou a fatia de mercado dos híbridos não plug-in para uma quota de mercado de 20%, algo nunca visto em Portugal.

As associações automóveis já pediram várias vezes ao Governo para suspender a cobrança do IUC enquanto os carros estiverem à espera de ser vendidos. O pedido não teve efeito e vai complicar a vida de concessionários e milhares de trabalhadores.

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