Restaurantes

"Medidas ziguezagueantes" que vão lançar cem mil no desemprego

"Medidas ziguezagueantes" que vão lançar cem mil no desemprego

A associação de restaurantes Pro.Var considera que os apoios não são equivalentes às restrições e que trabalhar de porta fechada não vai resolver o problema.

"Mal António Costa anunciou o prolongamento das restrições, recebi dezenas de telefonemas. Todos os dias, recebo dezenas de telefonemas de empresários da restauração que estão desesperados por poder trabalhar e manter postos de trabalho", revelou Daniel Serra, presidente da associação Pro.Var.

Ainda que o "take-away" esteja previsto nas próximas semanas, o setor "não pode continuar a trabalhar sem clientes", segundo o representante dos empresários, que considerou que "a compensação paga pelo Estado não é equivalente às restrições impostas, que agora já nem se limitam aos fins de semana, até incluem feriados e vésperas de feriados".

Daniel Serra criticou as "medidas ziguezagueantes que vão acabar por afastar os clientes dos restaurantes", que já "lançaram 40 mil pessoas no desemprego e que o setor teme que, a continuar assim, chegue às 100 mil pessoas em janeiro". Nessa altura, contabilizou Serra, "o Estado vai ter uma despesa de 800 milhões de euros só com desempregados" e ainda terá de assumir consequências indiretas.

"O setor da restauração foi considerado estratégico para o crescimento da economia. E foi. Mas, agora, abandonaram-nos em prol do combate à pandemia e esquecem-se que o nosso setor afeta mais de um milhão de pessoas, direta e indiretamente", recordou.

Para o líder da Pro.Var, o Governo "tinha de ser criativo, uma vez que não tem dinheiro para suportar as medidas de restrição, como noutros países da Europa, fazendo o caminho de lançar medidas para a economia funcionar de forma controlada, com outros horários que reduzam o convívio, mas que permitem trabalhar".

Daniel Serra é contundente e avisa que "com exceção da Função Pública, os portugueses querem trabalhar" e que "estamos a parar o país sem quaisquer resultados", a não ser "o tsunami que vai abater-se sobre a economia, sobre todos nós".

Outras Notícias