Comércio

"Melhoria" no comércio não afasta preocupação no setor

"Melhoria" no comércio não afasta preocupação no setor

Responsáveis fazem balanço da primeira semana pós-confinamento e afirmam que há mais gente na rua, mas prioridades dos gastos dos portugueses são com bens de primeira necessidade.

Resiliência é a palavra que une as vozes dos representantes do comércio, numa altura em que já se faz o balanço da primeira semana do período pós-confinamento. Maria Fonseca, presidente da União de Associações do Comércio e Serviços da Região de Lisboa e Vale do Tejo, não hesita em dizer que a situação é "preocupante".

E explica: "As pessoas andam menos na rua. Os trabalhadores da função pública, por exemplo, eram consumidores nas zonas de trabalho e agora isso já não acontece tanto". Além disso, há outro fator de peso. "Neste momento, o que não é essencial não é uma prioridade". Por isso, "só os bens essenciais é que estão mais ou menos salvaguardados".

No Porto, os comerciantes aguardavam a época das férias, altura em que os estrangeiros dão maior fôlego ao comércio de rua. "Agora, não sabemos o que vai acontecer. Mas sabemos que não vai ter tanto essa procura", observa Joel Azevedo, presidente da Associação dos Comerciantes do Porto. Desde que começou o desconfinamento, registou-se "uma melhoria da atividade, mas ainda longe do que era". Numa altura em que "ainda não há números" que retratem a quebra no negócio, a esperança é "o turismo interno, que poderá potenciar o comércio nacional".

"Está muito fraco. Já anda muita gente na rua, mas nada como antes da covid. Não há turistas e a maior parte destas pessoas andam a fazer trocas de compras que fizeram online. No entanto, estes são os primeiros dias e não vamos desanimar", refere Glória Oliveira, funcionária da Casa Lima, em plena Rua de Santa Catarina, no Porto.

O mesmo acontece em relação à Chuak, especializada em roupa de criança. "A maior parte das pessoas que andam aqui é para as lojas espanholas e só vêm à Baixa porque os shoppings ainda estão fechados", considera Maria Reis, funcionária da loja que renovou o stock com peças "mais frescas".

Apesar de ser "difícil quantificar" o prejuízo, João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, diz que "o negócio tem estado a crescer lentamente". Sendo que no geral, as lojas têm "menos de metade dos clientes de um mês normal". Para ficar a par das dificuldades que atravessa o setor, a Associação Portuguesa de Têxtil lançou um inquérito às empresas. Embora o balanço se faça com base "numa amostra pequena", o presidente Mário Jorge Machado, revela que "já se começa a sentir mais algum movimento na indústria, havendo uma melhoria relativamente ao mês de abril". Contudo, "ainda longe daquela que era o mês de maio do ano passado".

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Também o setor do calçado, cuja maior parte das empresas arrancou a atividade o início deste mês, fala de um ano "muito difícil". Salientando que "a recetividade do consumidor português tem sido interessante", Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS, associação dos industriais do calçado, lembra que o negócio vai estar "sempre dependente da evolução da pandemia". Para já, espera-se que a campanha "Está na hora de comprar calçado português", lançada nas últimas semanas, cative os portugueses.

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