Trabalho

Metade das horas extra não estão a ser pagas

Metade das horas extra não estão a ser pagas

Trabalho à noite e fim de semana diminuiu com a pandemia. Um quinto da população ativa trabalhou aos domingos, o número mais baixo desde 2012.

Mais de metade das horas extraordinárias, realizadas no ano passado, voltaram a ser uma "borla" para os patrões. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que apenas 49,4% das horas trabalhadas fora do horário normal foram pagas. A situação repete-se ao longo dos últimos anos.

Houve menos trabalhadores a fazerem horas extraordinárias em 2020, de acordo com a análise do Dinheiro Vivo/JN com base nos dados do Inquérito ao Emprego, do INE. O Inquérito ao Emprego do INE aponta para 477 mil pessoas a trabalhar para além do horário normal, correspondendo a 12% de trabalhadores por conta de outrem, a proporção mais baixa desde 2011.

Este é o número mais baixo de pessoas a fazerem horas extra desde 2013 e o primeiro decréscimo desde 2017. Em todo o caso, a média de horas extraordinárias manteve-se inalterada face a 2019 nas oito horas.

No ano passado, houve mais pessoas a trabalhar entre 36 e 40 horas semanais, correspondendo a 54% da população empregada, um aumento de 2,2 % face a 2019. Mas, nos restantes horários considerados pelo gabinete de estatística, verificaram-se quebras e a mais expressiva foi no escalão acima das 41 horas. Contam-se menos 124 mil pessoas a ultrapassarem o limite máximo do horário legal de trabalho.

1,8 milhões ao sábado

O número de trabalhadores a fazer horários diferenciados também diminuiu no ano passado, com a maior queda a verificar-se à noite e aos fins de semana.

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Em 2020, quase 440 mil pessoas responderam ter trabalhado à noite, menos 86 mil do que um ano antes, correspondendo a uma quebra de 16,3%. Trata-se do maior decréscimo da série do INE, iniciada em 2011, sendo que também emagreceu a proporção de pessoas no total da população empregada (9,1% face a 10,7% em 2019).

Esta redução pode estar relacionada com o encerramento obrigatório de restaurantes e espaços de diversão noturna, como discotecas, há quase um ano de portas fechadas. Também os horários mais curtos de funcionamento da restauração implicaram menos trabalho à noite. Mas o trabalho aos fins de semana também se ressentiu da paragem ou redução de atividade em muitos setores, muitos ligados ao Turismo, como hotéis ou serviços de transporte.

Os dados do INE mostram que em 2020 quase 1,8 milhões trabalharam ao sábado, correspondendo a 37,3% da população empregada: uma queda de 14% face a 2019, ou seja, menos 282 mil pessoas. Desde 2011 que não havia tão pouca gente a trabalhar ao sábado.

No trabalho ao domingo, houve um decréscimo de 13% face a 2019. Em 2020, 986 mil pessoas trabalharam aos domingos, um quinto da população empregada, o número mais baixo desde 2012, em plena crise financeira.

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