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Mexia ganha 52 vezes mais do que os trabalhadores

Mexia ganha 52 vezes mais do que os trabalhadores

António Mexia ganha cerca de 52 vezes mais do que a média salarial dos trabalhadores da EDP. O presidente da elétrica nacional teve direito a 2,2 milhões de euros em 2017, entre remuneração fixa, variável e prémios.

Os custos com remunerações dos colaboradores do grupo EDP ascenderam a 491,7 milhões de euros, ligeiramente abaixo dos 493,7 milhões de 2016. Já os custos remuneratórios com os órgãos sociais aumentaram de 16 para 16,4 milhões de euros, sendo a maior fatia atribuída ao conselho de administração. Dividindo a massa salarial pelo número global de trabalhadores (11 657), conclui-se que o presidente executivo da EDP ganha cerca de 52 vezes mais do que a média do grupo. Ou seja, um trabalhador ganha, em média, pouco mais de 42 mil euros num ano.

António Mexia auferiu em 2017 um vencimento-base de 984 mil euros (mais 4,8% que em 2016), ao qual somou um prémio de 584 mil euros pelo desempenho do ano anterior (mais 47% do que o prémio recebido em 2016, relativo aos resultados da empresa em 2015) e ainda um prémio de 720 mil euros como remuneração diferida de longo prazo, relativa aos resultados de 2014 (9,7% acima da remuneração de longo prazo auferida em 2016).

Ao gastar 11,87 milhões de euros com o seu conselho de administração executivo, a EDP "premiou" os seus gestores de topo com mais um milhão do que em 2016, o que corresponde a um aumento de 9%.

É verdade que o lucro da EDP cresceu 16% em 2017, para 1113 milhões de euros, depois de em 2016 ter subido 5%. No entanto, a disparidade salarial entre o topo e a base só tem crescido. A folha salarial de um trabalhador da EDP apresentava, já em 2016, números reveladores: em média, os quase 12 mil funcionários da energética arrecadavam, ao fim de um ano, 49 100 euros, menos 41,5 vezes que o presidente da companhia.

No entanto, Mexia está longe de ser o exemplo mais gritante das disparidades salariais no interior das empresas cotadas na Bolsa portuguesa. Recorrendo às contas de 2016, a Jerónimo Martins é claramente o grupo que contém a maior distância entre o topo e o fundo. Pedro Soares dos Santos, presidente executivo da dona dos supermercados Pingo Doce, arrecadou no total 1,269 milhões de euros em 2016, mais 46% em relação a 2015. Já a média salarial do grupo foi de 12 500 euros anuais por trabalhador. Na prática, Soares dos Santos ganhou mais 101 vezes que um colaborador da Jerónimo Martins.

Os dados do Eurostat revelam que Portugal é o quarto país da União Europeia com maior desigualdade salarial, apenas atrás de Chipre, Roménia e Polónia.