Covid-19

Milhares de euros em prejuízos com bodas adiadas

Milhares de euros em prejuízos com bodas adiadas

Com o novo coronavírus, a indústria dos casamentos e batizados está a adiar todas as cerimónias agendadas para março e abril. Há poucos cancelamentos, até porque isso implica a devolução de sinais e aumentaria o prejuízo já elevado do setor.

As quintas são, de longe, quem mais perde. Todas as contactadas pelo JN, de norte a sul do país, asseguram ter já prejuízos na ordem das dezenas ou centenas de milhares de euros só em março. Anteveem que o cenário seja igual em abril, mas têm esperança que depois melhore.

"Está tudo adiado e só estamos a fazer marcação para o verão", adianta Hélder Silva, da Quinta da Granja, em Guimarães, que contabiliza já "cerca de 100 mil euros em prejuízos só de casamentos e batizados adiados de março".

Tendo em conta as recomendações da Direção-Geral da Saúde para que sejam cancelados ou adiados todos os eventos que possam implicar a concentração de mais de 100 pessoas, na maioria dos casos são os próprios noivos que contactam a avisar que já não há casamento na data prevista.

"Tínhamos dois no último sábado, que não se realizaram", revela o padre Jorge Teixeira da Cunha, pároco de São João Baptista da Foz do Douro, que tem adiado os casamentos deste mês e de abril para setembro.

No segmento de luxo, maioritariamente destinado a estrangeiros que vêm casar a Portugal, a agência White Impact, do Algarve, também contabiliza prejuízos, pois o medo da Covid-19 sobrepõe-se ao bom tempo e às condições idílicas do Sul do país.

Minimizar perdas

A empresa regista, para já, um cancelamento recente de 300 pessoas provenientes do Canadá para ficarem em Portugal durante quatro dias. No entanto, a palavra de ordem é adiar, para minimizar as perdas, pois todos os agentes do setor esperam que o calor do verão possa diminuir a pandemia e permitir a realização das cerimónias. "Há sempre prejuízos, sem dúvida nenhuma, quanto mais não seja porque os casamentos poderão ser mais pequenos. Agora, adiando minimiza-se o impacto", revela Paula Grade, cofundadora da White Impact.

Além das agências, das quintas e da própria Igreja, há outras áreas interessadas no negócio que têm registado perdas com os adiamentos. São os casos dos fotógrafos, músicos, DJ, floristas e cabeleireiras, que prestam serviços reservados com vários meses de antecedência.

Raquel Pereira e José Godinho, de Ponte de Sor, iam casar este fim de semana, mas adiaram. "Quando nos apercebemos da gravidade da situação e do facto de podermos pôr em risco todas as pessoas de que gostamos, tornou-se claro que adiar era a decisão mais acertada. Não podíamos ser egoístas e pensar apenas em nós", conta Raquel ao JN. Uma decisão que o casal afirma que foi "difícil", mas "ponderada", e decidida a uma semana da cerimónia.

À decisão forçada pela pandemia seguiu-se "uma mistura de alívio e de orgulho". Sem previsão de regresso à normalidade, o casal tenta agora reagendar os serviços cancelados.

"Temos enfrentado vários problemas, tanto com a viagem de lua de mel, que já estava paga e da qual recusam fazer devoluções, como com fornecedores. Primeiro, porque não conseguimos remarcar adata, uma vez que não sabemos quando tudo isto vai acabar. Segundo, porque praticamente todos os fornecedores têm todos os fins de semana preenchidos até ao final do ano. Provavelmente, teremos de pagar tudo novamente", esclarece RaquelPereira.

Foi um "alívio" o adiamento do matrimónio de Bárbara Costa e Pedro Pinheiro. Casavam este sábado, no início da primavera, na Mealhada. Mas, à semelhança de muitos outros casais, viram-se "obrigados" a cancelar a cerimónia à última hora, por causa da pandemia da Covid-19. Agora, esperam eles, o casamento vai realizar-se no dia 5 de dezembro, já no fim do outono.

"Por incrível que pareça, todos os convidados foram muito conscientes. Eles até agradeceram. Alguns já estavam a cancelar por causa da situação em si. Já estávamos quase sem convidados", sublinha Bárbara Costa, agora com a decisão "difícil" praticamente tomada.

Como se o adiamento do sonho não fosse já mau demais, o casal tenta evitar eventuais prejuízos com os serviços que tinha requisitado para o matrimónio.

"Ninguém levantou problemas [com o adiamento], a não ser com a lua de mel. Estamos a tentar mudar. Informaram-nos de que não havia tarifa extra, mas, afinal, está a ser mais complicado. Estão a pedir mais [dinheiro] do que o normal", afirma ao JN Bárbara Costa.

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