Economia

Ministério "não interfere" no caso do leite

Ministério "não interfere" no caso do leite

Decisão por parte da Lactogal de reduzir o preço pago aos produtores e ainda de convidar à desistência com direito a indemnização gera críticas do BE. Associação pede mudanças no topo da empresa.

O Ministério da Agricultura diz que não interfere nas "opções de gestão" de uma empresa privada. O Bloco de Esquerda (BE) considera "injustificável" a decisão da Lactogal e diz que o governo "não pode "sacudir a água do capote"". A Aprolep pede a demissão dos atuais gestores da gigante dos laticínios. São as reações à notícia do JN: pressionados pela Lactogal, os accionistas - as uniões de cooperativas Agros, Lacticoop e Proleite/Mimosa - estão a pagar aos produtores de leite para deixarem de produzir. O objetivo era evitar descidas do preço do leite, mas, esta semana, a empresa reduziu em um cêntimo o preço pago ao produtor.

"[O BE] considera injustificável que a Lactogal imponha a baixa de preços pagos ao produtor e promova o abandono da atividade", afirma Pedro Soares. O bloquista diz que, contas feitas, "é a redução do preço pago ao produtor que vai pagar os "resgastes"", o que, sendo a Lactogal formada por cooperativas de produtores e estando o preço na Europa a valorizar, "não se entende".

"Um cêntimo por litro pode parecer insignificante, mas representa um ordenado mínimo numa empresa de dimensão média com 50 vacas em produção", diz a Aprolep (Associação dos Produtores de Leite de Portugal), lembrando que, só a Agros, tem 1256 produtores (e 60% da produção da Lactogal, que, por sua vez, representa 47% da produção nacional).

Jorge Oliveira, da Aprolep, explica que, sendo o país deficitário em iogurtes e queijo (que importa em grandes quantidades) e excedentário em leite, a atual administração da Lactogal "não tem sido capaz de apostar" nestes produtos e combater o corte de Espanha ao leite português. Por isso mesmo, Jorge Oliveira defende que os gestores da Lactogal "devem apresentar a sua demissão".

O Ministério da Agricultura diz apenas que "a Lactogal é uma empresa privada que opera no mercado, estando o Governo legalmente impedido de interferir nas suas opções de gestão".

Pedro Soares diz que o Governo não pode "simplesmente lavar as mãos". Lembra que, com incentivos ao abandono da atividade, o país pode deixar de ser autossuficiente, com "prejuízos para a balança comercial e grande impacto social". Por isso mesmo, é ao governo que cabe sentar à mesma mesa distribuição, indústria e produção. Um "pacto nacional" para proteger o leite português "pode e deve ser uma solução".

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG