Resgate financeiro

Ministro da Defesa adverte para dimensão "maligna" do aumentos de impostos

Ministro da Defesa adverte para dimensão "maligna" do aumentos de impostos

O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, advertiu, esta terça-feira, que o "ajustamento não acabou" e que é preciso continuar as "reformas estruturais", defendendo que o aumento de impostos, "seja para o que for", não tem uma dimensão "virtuosa".

Intervindo num debate organizado pela Confederação de Serviços de Portugal (CSP) sobre os desafios do pós-troika, o ministro da Defesa defendeu que entre as maneiras de injetar dinheiro na economia, a que tem uma "dimensão maligna" é o aumento de impostos.

"A maligna é o aumento de impostos. Quando nós estamos a querer, por via do aumento de impostos, estar sistematicamente a encontrar mais fonte de rendimento, seja para o que for, necessariamente, não é uma dimensão virtuosa", sustentou o ministro.

"E, não sendo virtuosa, ela pode ser excecional, pode ser extraordinária, pode ser de necessidade, mas não é seguramente o melhor caminho para conseguir financiamento", acrescentou.

Para Aguiar-Branco, a melhor maneira de assegurar financiamento é "prosseguir as reformas estruturais" para haver "capacidade para uma gestão mais eficaz, para um combate ao desperdício" e assim "libertar recursos para a economia e para as empresas", atacando "os bloqueios que impedem que as empresas assumam a sua missão de gerar riqueza e criar emprego".

O ministro defendeu que apesar do fim do programa de resgate financeiro, "a verdade é que o ajustamento não acabou" e que "não é a supervisão" que obriga à exigência do rigor orçamental mas sim a necessidade de impedir novos riscos de bancarrota.

"A nossa dívida termina em 24 de abril de 2042, que será a data estimada para o último reembolso de 1,5 mil milhões de euros decorrentes do programa de assistência financeira e temos o tratado orçamental que impõe a todos os Estados-membros que haja um défice das contas públicas não superior a 3% do PIB e um défice estrutural não superior a 0,5% do PIB e o limite da dívida pública nos 60% do PIB", sublinhou.

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Aguiar-Branco disse que os compromissos terão de ser cumpridos seja qual for o Governo que estiver em funções e considerou que, entre as prioridades, devem estar as "reformas de natureza estrutural" que "nunca acabam".

Antes de Aguiar-Branco, o presidente da Confederação dos Serviços de Portugal, Luís Reis, lamentou que a palavra "consenso" seja "tão mal tratada", pedindo "previsibilidade" aos decisores políticos para o período do pós-troika.

Luís Reis disse que o setor está "preocupado com algumas medidas de entrave ao crescimento económico".

"Compreendemos que nem sempre é fácil optar entre impostos e cortes salariais mas do ponto de vista do setor dos serviços, esses entraves à economia, ou os custos exagerados, inúteis, que têm sido colocados à frente do desenvolvimento das empresas em Portugal poderiam ser objeto de uma discussão profunda e alargada em sede de diálogo social", defendeu.

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