Economia

Mira Amaral atribui reação dos empresários à TSU a desconforto

Mira Amaral atribui reação dos empresários à TSU a desconforto

O presidente do BIC Portugal, Luís Mira Amaral, defendeu, este domingo, a posição da generalidade dos empresários sobre a Taxa Social Única, afirmando que se "sentiram desconfortáveis" por os trabalhadores irem financiar as suas empresas.

O ex-ministro da Indústria de Cavaco Silva escusou-se a comentar diretamente as declarações do economista António Borges sobre a matéria.

Sábado, o economista e conselheiro do Governo para as privatizações considerou "muito inteligente" a medida do Governo sobre a Taxa Social Única (TSU) e chamou "ignorantes" aos empresários que discordaram dela.

Luís Mira Amaral defendeu a posição dos empresários que discordaram da medida anunciada por Pedro Passos Coelho a 7 de setembro, dizendo que estes se "sentiram desconfortáveis" pelo facto de entenderem que seriam os seus trabalhadores a financiar as empresas.

"Os empresários sentem-se desconfortáveis quando na sua empresa um trabalhador lhes diz 'é o meu salário que está a financiar a empresa'", disse Mira Amaral, sublinhando que os políticos "têm que perceber esse desconforto".

Observou a propósito que os trabalhadores "são essenciais e se eles começarem a ficar mal dispostos, a produtividade da empresa baixa", salientando que "não se trata de medo, é bom senso e realismo".

Mira Amaral defendeu uma redução das contribuições das empresas para a Segurança Social baseada no aumento do IVA e não no aumento da comparticipação dos trabalhadores.

"O azar que tivemos é que houve esse aumento do IVA, não para financiar a redução da contribuição patronal, mas infelizmente para financiar o buraco público", disse.

Considerou que a opção do Governo pelo aumento das contribuições do trabalho teve em conta de já não haver "grande margem de manobra para fazer a redução da contribuição patronal e aumento do IVA".