Economia

Modalidade "tudo incluído" cada vez mais procurada para férias nos hotéis do Algarve

Modalidade "tudo incluído" cada vez mais procurada para férias nos hotéis do Algarve

Os turistas portugueses estão cada vez mais a procurar os hotéis com o sistema "tudo incluído", uma forma de controlarem os gastos, sobretudo quando fazem férias em família, disseram à Lusa responsáveis do setor.

Através desta modalidade, muito utilizada nos "resorts" das Caraíbas, o cliente, que recebe uma pulseira identificativa, tem direito a alojamento e a comer e beber durante todo o dia sem ter de pagar mais.

O sistema já se pratica em vários hotéis do Algarve, como é o caso do Vila Galé Náutico, em Armação de Pera, Silves, que se converteu no ano passado num hotel exclusivamente dedicado ao regime "all inclusive" (tudo incluído).

O hotel, com 225 quartos, foi reestruturado com essa finalidade, através da criação de mais quartos familiares e do alargamento das zonas de animação, de refeições e do bar, explicou à Lusa um responsável do grupo Vila Galé.

Segundo Carlos Cabrita, apesar de os turistas nacionais não chegarem a metade do total de clientes que estão alojados naquele hotel, o número de portugueses tem crescido de forma expressiva.

"A base de partida é completamente diferente, por exemplo, da do mercado inglês, que ainda lidera a procura e tem mais dormidas, mas nota-se um crescimento", explicou o diretor de operações do grupo para o Algarve e Alentejo.

Também o hotel Pestana Delfim, em Alvor, em Portimão, se rendeu a esta modalidade, cujos preços são adaptados à medida das famílias em época de crise, proporcionando uma melhor gestão do dinheiro que as pessoas têm para gastar nas férias.

"Numa altura de crise em que as pessoas contam mais o dinheiro que têm para gastar nas férias, as famílias com filhos sabem que indo com tudo incluído não vão gastar mais do que o valor que está combinado", sustentou Pedro Lopes, administrador para o Algarve dos hotéis Pestana.

Aquele responsável indicou que a rentabilidade das unidades hoteleiras "não é penalizada" com a introdução da modalidade, até porque o sistema foi estudado.

"A rentabilidade é semelhante ao do 'não tudo incluído'. Fazem-se contas, o preço tem de ser adaptado ao facto de termos muitas refeições, mas nós sabemos que as pessoas têm um limite e não conseguem comer nem beber mais do que uma determinada quantidade", observou aquele dirigente.

Na opinião de Pedro Lopes, o sistema "acaba por sair mais barato do que comer num outro restaurante qualquer, reunindo vantagens, como as pessoas não terem de esperar para que sejam servidas e podendo variar na comida e bebidas".

"É uma modalidade a que os hotéis do Algarve não estavam habituados a utilizar, mas agora passa a ser mais um segmento de mercado com muita procura", sublinhou.

Para Pedro Lopes a modalidade, que é cada vez mais procurada, só não foi introduzida há mais tempo nas unidades hoteleiras do Algarve "porque as pessoas dispunham de um orçamento para as férias que lhes permitia almoçar e jantar em restaurantes fora dos hotéis".

"Hoje, as pessoas querem ficar os mesmos dias de férias mas gastando menos e, sabendo que só gastam aquilo e não vão gastar mais, escolhem o tudo incluído", concluiu.

Apesar de ser vantajoso para os hotéis, que assim garantem melhores taxas de ocupação, o sistema não agrada a alguns empresários, que não acreditam no sucesso da modalidade, pois nem todos os turistas são adeptos desse tipo de férias.

Reinaldo Teixeira, empresário do setor imobiliário e de alojamento, considerou que o regime não irá vingar no Algarve, uma vez que a região é segura, tem uma gastronomia rica e boas acessibilidades, o que facilita a deslocação dos turistas.

"As pessoas conseguem comer fora pelo mesmo preço que nos hotéis", notou o administrador da Garvetur, acrescentando que a modalidade terá mais sucesso nos países com mais riscos ao nível da segurança e da qualidade alimentar.