Economia

Moody's acha que Portugal vai falhar todas as previsões

Moody's acha que Portugal vai falhar todas as previsões

As medidas de austeridade podem travar o crescimento nos próximos seis a oito anos, avisou ontem a Moody's. Neste cenário, Portugal não fica nada bem, e o relatório da agência refere que o nosso país deverá falhar as metas de défice e dívida definidas pelo Governo.

Portugal não fica bem na fotografia do "European Sovereign Outlook", relatório divulgado ontem pela agência de notação financeira Moody's que prevê que a economia portuguesa cresça 0,5% este ano, contra 0,7% projectado pelo Executivo (no primeiro trimestre o PIB cresceu 1,1%, e no segundo 0,2%). Mas, para 2011, a estimativa da agência é mais optimista do que a do Governo: enquanto este aponta para 0,3%, a Moody's chega aos 0,7%.

A explicação para estes baixos valores é dada no relatório, onde a agência alerta que o esforço de consolidação orçamental na Zona Euro pode ter efeitos negativos no crescimento durante seis a oito anos. Lembra, ainda, que "nunca antes, na história moderna, houve tantos países a tentar fazer ajustamentos orçamentais em simultâneo", recordando que em casos anteriores, de sucesso, tal aconteceu a pequenas economias abertas nas quais foi possível dinamizar as exportações através de desvalorizações cambiais.

Retomando o relatório na parte que diz respeito a Portugal, o pessimismo aumenta em relação ao défice orçamental. A Moody's diz que os objectivos do Governo não serão alcançados em 2010 e 2011. A agência aponta para um défice de 7,5% este ano (Governo estima 7,3%, e para 2011 a estimativa é de 6,8%, enquanto o Executivo acredita ficar-se pelos 4,6%.

De acordo com o relatório de execução orçamental de Janeiro a Julho, o valor do défice era de 8903 milhões de euros, um valor que o Governo diz "não pôr em causa o objectivo do défice para 2010".

A projecção para o peso da dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto é igualmente desfavorável para o Governo, com a Moody's a indicar que esta deva atingir os 84,8%, em 2010 (83,4% é a estimativa governamental), e 89,2%, em 2011 (o Governo estima 85,9%).

Sem um bom quadro para a Zona Euro, a Moody's considera "encorajadoras" as medidas tomadas por alguns governos e destaca que cortes na despesa pública em vez de aumentar impostos é a melhor forma de diminuir o défice, sem penalizar o crescimento.

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