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Moradia isolada e piscina privada são critério para férias

Moradia isolada e piscina privada são critério para férias

Portugueses começam a fazer "reservas" a pensar nos feriados de junho, mas a covid-19 afasta-os de multidões.

Os portugueses estiveram à espera do anúncio das regras da época balnear para começarem, timidamente, a fazer algumas reservas. Enquanto a hotelaria ainda se prepara para reabrir, na maioria, em locais de praia, a partir de julho, o alojamento local começa a notar "alguma procura para a semana dos feriados de junho" (10 e 11 a nível nacional, 13 também em onde se celebra o Santo António). Mas há novas exigências, segundo Eduardo Miranda, da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP).

"Este ano, há mais procura de casas isoladas, porventura no interior, com piscina privativa. Pode ser uma oportunidade para esses alojamentos fora dos grandes centros, onde as reservas são muito marginais e só no final do verão, com a retoma de algumas rotas das companhias aéreas, poderemos ter alguma retoma", analisou Eduardo Miranda.

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A AirDNA, ferramenta de análise do Airbnb, onde se encontra anunciado muito do alojamento local, revela que os preços já começaram a descer nos locais de férias, mas nem tanto nas cidades maiores. Eduardo Miranda explicou que o setor considera, genericamente, que "descer preços seria contraproducente, porque depois demora muito tempo para subir". Os empresários e as famílias que dependem do setor (em Portugal há 55 mil titulares para 93 mil alojamentos) devem, antes, "apostar num plano de negócios com poucos ou nenhuns rendimentos até à primavera de 2021, procurando alternativas de financiamento" ou, até, passar para o arrendamento de médio prazo.

Incerteza e medo

As reservas e os cancelamentos, nesta fase, diz o presidente da ALEP, são geridas "semana a semana", uma vez que a incerteza domina o mercado.

Elsa Caetano está no negócio há uma década, no Algarve, e confirma a tendência: "Estão a reservar de uma semana para a outra, não estão a fazer planos para os próximos dois meses. E também cancelam em cima da hora". Foi o que aconteceu com "as reservas dos estrangeiros para agosto; só ficaram as dos espanhóis e os mais novos, os reformados não vêm". Elsa apostou na certificação "Clean and Safe" do Turismo de Portugal, mesmo se isso implicou maior despesa(- por exemplo, tive de trocar os colchões da piscina porque eram de pano e não davam para desinfetar" -, mas não sabe se será suficiente para acalmar os receios dos clientes. "Tenho a Casa da Cisterna, que só partilha piscina com a casinha do lado. No máximo, podem estar sete pessoas numa piscina de oito por cinco metros, desinfetada com cloro, mas mesmo assim há quem já não queira reservar, ao saber que não é privativa".

Turismo rural

Os cancelamentos de reservas afetaram 92% da hotelaria, 75% do alojamento local e apenas 68,8% do turismo rural e de habitação.

Quebra de 62%

No mês de março, o número de hóspedes em alojamento turístico caiu 62% e as dormidas diminuíram 59%, devido à pandemia (INE).

80% com cancelamentos

de reservas agendadas entre março e agosto, sobretudo por parte de hóspedes nacionais, seguidos dos espanhóis, franceses, alemães e britânicos, diz o INE.

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