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Motoristas, estafetas e restaurantes ponderam avançar com providência cautelar à Uber

Motoristas, estafetas e restaurantes ponderam avançar com providência cautelar à Uber

Cerca de 50 parceiros da plataforma Uber, entre motoristas, estafetas e restaurantes, ponderam apresentar uma providência cautelar contra a empresa alegando atrasos em pagamentos, em alguns casos de mais de quatro semanas.

Em declarações à Lusa, Ângela Reis, parceira da plataforma eletrónica de TVDE - transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizado -, adiantou que na quinta-feira à noite já eram pelo menos 50 os interessados em juntar-se numa providência cautelar.

Em causa estão pagamentos de várias semanas em atraso pela operadora Uber a vários parceiros, entre motoristas, estafetas e restaurantes.

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Ângela Reis adiantou à Lusa que esteve durante quatro semanas sem receber qualquer pagamento, o que a levou na quinta-feira a ter de vender um dos carros da sua empresa por não conseguir suportar as despesas.

"Sempre tive os documentos a verde na aplicação, nada aparecia para atualizar, mas mesmo assim não recebia. Fui diversas vezes ao centro de apoio da Uber nas Amoreiras e quem atendia nunca conseguia explicar o que estava a acontecer, por mais perguntas que fizesse", disse.

Questionada pela Lusa, fonte da Uber reconheceu tratar-se de um problema que está a afetar "um número reduzido de parceiros", mas disse que está a ser cumprida uma norma europeia.

"É uma situação que está a afetar um número muito reduzido de parceiros, mas reconhecemos que mesmo para um número reduzido é um problema relevante. Estamos a trabalhar com eles para conseguirmos recolher a documentação necessária e ultrapassar estes constrangimentos o mais rapidamente possível", pode ler-se na resposta.

De acordo com a Uber, em causa está a necessidade de cumprir uma diretiva da União Europeia que tem como objetivo regular serviços de pagamento, melhorando a segurança na utilização de sistemas de pagamento e reforçar a proteção dos consumidores.

"Os documentos que agora são exigidos não eram necessários para ativação de uma conta, mas agora são pela regra europeia. Para isso, tivemos uma equipa desde o final do ano passado a ligar a todos os parceiros a explicar que esses documentos passariam a ser necessários. Em complemento, enviámos vários emails a relembrar os parceiros que ainda não tivessem esse documento ativo", refere a Uber.

Ângela Reis e também Marcos Pais, outro operador lesado, dizem que a nova diretiva já é de 2019 e que, "uma vez que a Uber não trata com dinheiro vivo e que os pagamentos são todos feitos via conta bancária, e até mesmo os consumidores o fazem através da aplicação, não há como existir branqueamento de capitais".

"Até porque sempre tive os documentos validados, não são pedidos documentos que nunca tenhamos entregado, além de que se pôde continuar a trabalhar mesmo não tendo os pagamentos em dia. Quando há alguma problema, com o seguro do carro por exemplo, ficamos com luz vermelha e bloqueados na aplicação, o que não era o caso agora", explicou Marcos Pais, que, após vários emails, só com o agendamento presencial na sede da empresa em Lisboa conseguiu reaver as quatro semanas em dívida.

No entanto, o parceiro alertou que os casos estão a ter uma "solução aleatória", não se sabendo porque uns casos são resolvidos e outros não.

Ângela Reis acrescentou que a Uber começou agora a sancionar os parceiros com pagamentos em atraso, adiantando que as contas na aplicação começaram a ser bloqueadas.

Leandro, estafeta da UberEats em Coimbra, já não saiu para a rua na quinta-feira, alegando que já não tem dinheiro para o gasóleo com que faz as entregas.

"Estou há cinco semanas sem receber. Primeiro a Uber alega que há documentos em falta, mas eu tenho tudo em dia. Nunca tinha tido um problema destes e não se percebe, há colegas a receber e outros não. Já devo ter enviado mais de 50 emails e eles respondem que estão a analisar o caso", desabafou, acrescentando ter conhecimento de mais colegas estafetas na mesma situação que a sua.

Ângela Reis contou ainda o caso de um restaurante na Maia, que abriu em plena pandemia e por ser pequeno recorria ao serviço UberEats. No entanto, relatou, a proprietária esteve mais de quatro semanas sem receber o pagamento e só agora, com insistência do advogado e uma queixa no portal das queixas, viu o seu caso ser resolvido e o pagamento desbloqueado.

A Uber afirma que assim que os parceiros atualizem a informação de pagamento este "é procedido", ressalvando "não estar a ficar com os valores, mas sim a suspender enquanto regularizam".

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