Automóveis

Não há pandemia que trave carros de luxo

Não há pandemia que trave carros de luxo

Vendas de automóveis com valor superior a 100 mil euros continuam a aumentar. Veículos a gasóleo já só valem 20% das novas matrículas.

Custam mais de cem mil euros e parecem imunes à crise dos semicondutores. As vendas de automóveis de luxo aumentaram no ano passado face a 2020 e até foram superiores ao ano pré-pandemia. Em contraciclo, o resto do comércio tarda em recuperar.

Aston Martin, Bentley, Ferrari, Maserati e Lamborghini venderam um total de 121 unidades no ano passado. O número é superior ao de 2020 (80 unidades) e até de 2019 (89 carros).

A britânica Aston Martin registou 34 unidades (sete em 2020); a também britânica Bentley matriculou 26 unidades (21 em 2020). A italiana Maserati contou com 25 vendas (sete em 2020); a Ferrari registou 23 unidades (30 em 2020); a italiana Lamborghini contou com 13 vendas (15 em 2020).

No mercado total, em 2021 foram matriculadas 180 277 unidades, mais 1,9% do que em 2020, segundo os números ontem divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP). Verifica-se uma descida de 32,7% na comparação com 2019, quando houve 267 828 veículos registados. "Mais um ano perdido", resumiu, ao JN/Dinheiro Vivo, o secretário-geral da ACAP, Helder Pedro. "Toda a indústria sofre com a falta de semicondutores. Em Portugal, ainda levamos com a ausência de medidas de estímulo à procura", concretiza.

As empresas também são penalizadas "pela falta de carros para entrega", assinala Rodrigo Ferreira da Silva, líder da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN).

Poluentes em queda

PUB

Além da falta de carros para entregar, Portugal está a acompanhar a tendência europeia de diminuição da compra de veículos mais poluentes no segmento de ligeiros de passageiros.

Em 2021, pouco mais de dois em cada dez automóveis novos (21,87%) só funcionavam com gasóleo. Há menos de uma década, em 2013, o diesel chegou a ter 72,3% da quota de mercado.

A gasolina destronou o gasóleo em 2019, mas também está a perder potência: no ano passado, valeu 42,97% das vendas de novas unidades, o que compara com os 49,9% do ano anterior à pandemia da covid-19.

Em forte crescimento no mercado estão os carros eletrificados. Juntos, os veículos híbridos convencionais, plug-in (com tomada exterior de carregamento) e os 100% elétricos já valem um terço das vendas - há um ano, tinham um quinto da quota de mercado.

ACAP e ARAN concordam que 2022 vai ser tão ou mais desafiante do que o ano recém-terminado.

Nova líder

A Peugeot é a marca mais vendida em Portugal. A marca francesa destronou a Renault, que ocupou o primeiro lugar 23 anos consecutivos.

Elétricos valem 9%

A quota de mercado dos carros 100% elétricos praticamente duplicou entre 2020 e 2021, de 5,4% para 9,04%. A Peugeot também liderou as vendas neste segmento de mercado.

Pesados recuperam

As vendas de veículos pesados recuperaram mais do que as dos automóveis ligeiros. Os registos de camiões e autocarros aumentaram 21,3% na comparação com 2020, para 4850 unidades.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG